Psicodrama grupal e o teatro da espontaneidade

O Psicodrama desenvolvido por Jacob Moreno deu origem a inúmeras modalidades e possibilidades terapêuticas.
Resumidamente se dividiriam em abordagens grupais e individuais.

Na verdade, não se poderia falar em abordagem individual no Psicodrama. Toda relação terapêutica se desenvolve entre duas ou mais pessoas, não sendo possível pensar a relação terapêutica de forma individual em termos estritos.

A psicoterapia psicodramática que se realiza entre terapeuta e paciente seria melhor descrita como psicoterapia bipessoal.

Nesta “modalidade” haveria inúmeras possibilidades envolvendo a utilização em maior ou menor escala de técnicas dramáticas.

Entre múltiplas possibilidades se destacaria uma abordagem analítica que é a “Análise Psicodramática”, técnica desenvolvida por Victor Dias.

No campo do Psicodrama Grupal há uma importante corrente chamada de “Teatro da Espontaneidade”. Seus defensores acreditam que o Psicodrama seria na realidade um desenvolvimento do Teatro da Espontaneidade e não o contrário. Outros, entretanto, acreditam que não seria uma técnica propriamente terapêutica, mas teria importância no aspecto educacional ou como método terapêutico apenas complementar.

O objetivo principal do Teatro da Espontaneidade seria estimular a criatividade e espontaneidade em determinado grupo, que poderia ser terapêutico ou de trabalho, entre outras possibilidades de grupos. Tal estímulo favoreceria a expressão da subjetividade, de emoções, sentimentos, desejos e conflitos derivados dessas emoções.

A expressão de emoções de forma espontânea, não dirigida e não racionalizada possibilitaria, como consequência, a compreensão do “clima” grupal e das relações interpessoais.

Tal compreensão poderia ser verbalizada ou não, ou seja, poderia se dar de forma explícita em seu aspecto mais verbal, ou se dar apenas de forma interior e não verbalizada. Teria, portanto, um aspecto terapêutico e poderia ser um veículo facilitador em grupos não-terapêuticos, tais como grupos de trabalho ou de equipes.

No Teatro da Espontaneidade, o protagonista seria o eixo do processo como no Psicodrama Grupal de modo geral ou clássico. Este seria o elemento que iria nortear a sessão e o desenrolar da história e da produção dramática.

A história apresentada pelo protagonista seria o fundamento ou a gênese de uma nova história, sendo esta modificada pelos demais participantes do grupo ou eventualmente da plateia.
As possibilidades de encaminhamento da história seriam inúmeras, sendo a liberdade criativa de todos os participantes responsável pelo resultado de conflitos.

O papel do diretor não seria de escolher um determinado resultado, mas de proporcionar uma opção estética. Tal escolha deveria ser sempre respaldada na observação do movimento emocional do grupo. Deveria ter um papel igualmente investigativo, sendo terapêutico como consequência e não como objetivo imediato. A construção coletiva seria o objetivo principal do processo, sendo a individualidade do protagonista o elemento desencadeador do processo.

Nesse contexto, a caracterização da figura do paciente ficaria reduzida ou mesmo excluída, sendo o protagonista aquele que ofereceria um conflito a ser “enfrentado” pelo grupo, com resultados não dirigidos.

O objetivo da cena, em que pese seu caráter investigativo, não seria apenas o de conhecer as características mais profundas do conflito, mas de construir uma nova realidade.

Representaria, dessa forma, o afastamento da antinomia realidade-fantasia. Se houver uma realidade a ser conhecida, seria a realidade do momento, não estática e não definitiva. A interlocução realidade-fantasia seria o campo fértil onde poderiam surgir novas possibilidades de vida e de novos mundos.

O que se ressalta no Teatro Terapêutico é o abandono do modelo utilizado nos tratamentos de saúde em geral e no qual o tratamento de saúde mental é muitas vezes utilizado. A recusa ao modelo organizado em torno da estrutura distúrbio, diagnóstico e tratamento é fundamental em sua compreensão.

Sua ideia é a participação ativa de todos os envolvidos na cena como autores e de criadores de possibilidades de vida.

Ainda que técnicas possam ser utilizadas, seria o pensamento crítico um veículo transformador, o qual se crê de um valor que se colocaria adiante do processo terapêutico em sua concepção tradicional.

Dr. Francisco Ruiz – Psiquiatra – CRM 55945 | RQE 33048

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