Eu amo meus avós e esses dias realmente parei para refletir a benção (e a raridade) que é ter avós quando estamos beirando os 40 anos. Frequento a casa deles, tomo café da tarde com eles, posso comer a comidinha do meu avô que tem um tempero único e me remete diretamente a minha
infância.
Meu avô tem a cabeça boa, bem-humorado, faz mercado, parou de dirigir há pouco tempo por insistência nossa, é independente e autônomo, vive em sua própria casa e comemorou recentemente bodas de platina pelos 65 anos de casamento com a minha avó, que tem um quadro demencial provável Alzheimer – então, além de ser seu companheiro, meu avô também é seu cuidador.
Inevitavelmente surgem perguntas como: Convivendo há tanto tempo, por que é que o envelhecimento foi tão diferente para cada um deles?
Existem questões genéticas, mas existe estilo de vida, comorbidades e impacto do cuidado individualizado.
O número de pessoas que vivem com demência em todo o mundo em 2019 foi estimado em 57 milhões e projeta-se que aumente para 153 milhões de pessoas até 2050.
Em agosto de 2024, o The Lancet publicou um estudo global identificando e descrevendo 14 fatores de risco para o desenvolvimento da demência de Alzheimer, mas o maior impacto está em dizer que esses fatores de risco são modificáveis mesmo em pessoas com maior risco genético de demência, ou seja, ressaltam o quanto a saúde é um processo ativo, bilateral e contínuo.
São eles:
- Prática regular de atividade física: Exercícios físicos regulares, tanto aeróbicos quanto de ganho de força muscular, são cruciais
para a saúde cerebral. - Manter uma vida social ativa: Evitar o isolamento social e manter vínculos e compromissos sociais é um fator de proteção importante.
- Investir em educação e estimulação cognitiva: Aprender coisas novas, ler, jogar jogos de tabuleiro ou aprender um novo idioma estimula diferentes áreas do cérebro e reserva cognitiva.
- Cuidar da audição: A deficiência auditiva está associada a um risco aumentado de demência, sendo fundamental o seu tratamento ou correção.
- Respirar ar puro: A poluição atmosférica é um fator de risco a ser evitado.
- Controlar o diabetes: Manter os níveis de açúcar no sangue sob controle é essencial para a saúde vascular e cerebral.
- Não fumar: O tabagismo é um fator de risco modificável que aumenta a propensão à doença.
- Consumir álcool com moderação: O consumo excessivo de álcool é prejudicial e deve ser evitado.
- Manter um peso saudável: A obesidade, principalmente na meia-idade, é um fator de risco que pode ser controlado com dieta equilibrada e exercícios.
- Tratar a depressão: A depressão, se não tratada, aumenta o risco de demência.
- Proteger a cabeça contra traumatismos: Traumatismos cranioencefálicos podem ter consequências a longo prazo na saúde cerebral.
- Controlar a pressão arterial: A hipertensão arterial é um fator de risco cardiovascular que impacta diretamente a saúde cognitiva.
- Controlar o colesterol: Níveis elevados de colesterol LDL (colesterol ruim) estão associados a um maior risco.
- Cuidar da visão: Problemas de visão não corrigidos também foram incluídos como um fator de risco modificável.
A importância da prevenção é inegável, mas a descoberta desses fatores nos leva também aos universos de intervenções e combate.
Para pessoas que já vivem com demência, ou seja, mesmo após o diagnóstico tais ações podem ajudar a maximizar a saúde física, melhorar a qualidade de vida, reduzir as hospitalizações e planejar o futuro – Sim!
Há futuro na longevidade!
Vamos juntos?
Dra. Bruna Vazamim Cumpri | RQE 100982 – 1009821 | @institutoser.medicina


