TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA) – ABRIL AZUL

O Transtorno do Espectro Autista é um tema de extrema importância atualmente, pois ultimamente temos a impressão de que “aumentaram” os casos, ou que “está na mídia” ou “está na moda”. Porém, a realidade é que com o aumento da dedicação aos estudos deste transtorno tão amplo e com tantas peculiaridades fez com que melhorasse a qualidade do diagnóstico e que uma maior quantidade de crianças fosse contemplada com a avaliação correta.

A apresentação clínica pode ser bem diversa, desde sintomas bem evidentes até características sutis, daí a dificuldade de diagnosticar e “bater o martelo” com uma única avaliação. A idade de início dos sintomas pode variar. Em geral, o quadro é reconhecido aproximadamente com 2 anos de idade, mas em casos graves pode ser suspeitado antes de 12 meses.

Conforme o nome “espectro” sugere, existem formas variadas de apresentação do quadro. Os sintomas são agrupados, principalmente, em dificuldade na comunicação e interação social, comportamento, interesses e atividades restritas e repetitivas. Os sintomas devem estar presentes no início da infância, evoluir com limitação e dificuldades no dia a dia e ficar bem revelados a partir do momento que as demandas sociais excederem as capacidades do indivíduo.

Fatores de risco

  • Genéticos: suscetibilidade genética de 40-90%, com alto risco de recorrência entre irmãos (2-19%) e em gêmeos (37-90%);
  • Idade materna ou paterna avançada;
  • Diabetes gestacional;
  • Hipertensão arterial e obesidade durante a gestação;
  • Exposição a pesticidas, uso de valproato e exposição à poluição durante a gestação;
  • Incompatibilidade imunológica mãe-feto;
  • Hemorragia gestacional materna;
  • Primigesta;
  • Baixo peso ao nascer;
  • Complicações no cordão umbilical;
  • Prematuridade;
  • Trauma ao nascimento;
  • Hipoxia ao nascimento;
  • Incompatibilidade ABO ou Rh;
  • Hiperbilirrubinemia;
  • Baixo Apgar no 5º minuto;
  • Má formação congênita;

Dificuldade na comunicação e na interação social

  • Déficit na reciprocidade social: falta de interesse por outras crianças, uso dos outros como ferramentas, falta de reciprocidade no sorriso social, falta de empatia pelo sofrimento alheio, não demonstram interesse em imitar outras pessoas, não têm interesse em mostrar um novo objeto para o cuidador, não demonstram necessidade de compartilhar interesses com outras pessoas, só iniciam interação social para ganhar ajuda;
  • Déficit na comunicação não verbal: dificuldades para interpretar comportamentos não verbais (olhar, expressão facial, gestos, postura corporal); bebês podem não realizar contato visual e, depois, as crianças podem ter dificuldade em manter contato visual, resistir a abraços e não estender os braços na antecipação de ser pego no colo;
  • Dificuldade nas relações sociais: pouco ou nenhum interesse em relações com seus pares, preferência de atividades solitárias; quando demonstram interesse na interação social, apresentam dificuldade na compreensão de qual comportamento é adequado para a situação e para os sentimentos alheios, dificuldade de fazer amigos.

Comportamento

  • Comportamentos estereotipados: maneirismos motores ou movimentos corporais complexos; alinhamento de objetos no mesmo número da mesma forma estereotipada; ecolalia; frases idiossincráticas; comportamentos de autoinjúria;
  • Insistência excessiva em manter a rotina e comportamentos: dificuldades com transições e mudanças; necessidade da mesma rotina diariamente; aderência inflexível a rotinas e rituais específicos e não funcionais; comportamentos compulsivos;
  • Interesses restritos: características de interesses restritos e estereotipados que são anormais tanto no foco quanto na intensidade; preocupação insistente com objetos não usuais;
  • Percepção sensorial: hiperresponsividade e respostas paroxísticas a estímulos ambientais. Exemplos: recusa em comer alimentos com determinadas texturas ou comer apenas comidas com determinadas texturas; preocupação em cheirar ou lamber objetos; resistência ao toque ou sensibilidade aumentada para certos toques; aparente indiferença à estímulos dolorosos;
  • Prejuízo da intelectualidade: as habilidades cognitivas quase sempre estão comprometidas; as habilidades verbais costumam ser mais afetadas que as não verbais;
  • Prejuízo da linguagem: ocorre atraso ou completa ausência da linguagem falada, com maior prejuízo na linguagem receptiva do que na linguagem expressiva; sons ou palavras estereotipadas, sem intenção comunicativa; inversões ou mau uso de pronomes; uma parte dos pacientes consegue ler, mas não necessariamente compreendem a leitura;
  • Alterações comportamentais: comportamento agressivo dirigido a si ou a outros (ex: se morder); birras graves e às vezes de difícil controle e que podem ou não ter um fator desencadeante (podem ser espontâneas); déficit na atenção; hiperatividade; alterações do humor; ilhas de conhecimento em que se demonstra uma forma de aptidão maior para aquela área (ex: cálculos ou música);
  • Alterações no sono: muitos pacientes apresentam insônia;

Estas são algumas características que os pacientes podem apresentar, porém não existe um padrão. O paciente sempre deve ser avaliado por uma equipe multidisciplinar (pediatra, neurologista, psicólogo, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, dentre outros) tanto para determinar o diagnóstico quanto o tratamento, que é individualizado.

Fonte: Pebmed

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