Viagens e tromboembolismo venoso

Há muito se sabe sobre a associação de viagens, em especial as com trajeto de maior duração, e incidências aumentadas de fenômenos tromboembolicos venosos (TEV).

De uma forma geral, qualquer fator que acione um ou mais fatores da “Tríade de Virchow” (estase sanguínea/ lesão endotelial / hipercoagulabilidade) pode propiciar um episódio de TEV.

O fator que costuma estar mais envolvido nessa associação é o da ESTASE SANGUÍNEA, uma vez que nossa mobilidade costuma estar reduzida durante o trajeto. Consideramos atualmente, que essa associação é especialmente mais marcante em viagens com trajetos de duração a partir de 4 horas e aumenta de forma diretamente proporcional em viagens com trajetos de maior duração.

No caso das viagens aéreas, podemos também considerar como incremento do fator ESTASE SANGUÍNEA, o ambiente com mais baixa umidade de ar que se encontra no interior da aeronave, o qual favorece a desidratação.

Podemos acrescentar também o fator LESÃO ENDOTELIAL, provocado pela relativa HIPOXEMIA aos quais os viajantes se submetem, devido ao ambiente Hipobárico de dentro da aeronave.

Tais fatores acima expostos, em associação a fatores “viajante dependentes” que também podem contribuir, cada qual a seu modo, para o acionamento da Tríade de Virchow, podem propiciar fenômenos de TEV.

Alguns dos fatores pró tromboticos “paciente dependentes” importantes a serem considerados para tal risco são:
• Pessoas com histórico de fenômenos tromboembolicos venosos (TEV) prévios
• Vigência de uso de alguns tipos de hormônios para contracepção ou reposição (especialmente Estrogênios e Testosterona)
• Obesidade
• Portadores de Trombofilias
• Portadores de neoplasias malignas
• Usuarios de algumas medicações (ex: Tamoxifeno)
• Pessoas com limitações de movimento (por afecções, imobilizações, etc…).
• Pessoas recém operadas
• Pessoas portadoras de algumas doenças
crônicas de base (ex: Doença de Crohn, etc…)
• Tabagistas

De uma forma geral, a literatura atual sobre o assunto recomenda:
• Viajar com roupas confortáveis e que permitam a livre movimentação do viajante.
• Em viagens de avião, levantar, andar e se movimentar por alguns minutos, periodicamente (a cada 1 hora e meia, em média)
• Em viagens de carro, fazer paradas periódicas (a cada 1 hora e meia, em média), descer do veículo e se movimentar por alguns minutos.
• Fazer ingesta de bastante líquidos (não alcoólicos) durante a viagem.
• Evitar bebidas alcoólicas em excesso durante o trajeto (elas proporcionam maior desidratação, além de facilitarem um estado alterado de consciência, podendo proporcionar maior sedação ou dificuldade do paciente se movimentar adequadamente durante o percurso).
• Evitar a ingesta de sedativos durante a viagem (para não induzir um estado de sedação que impeça o paciente de se movimentar e se hidratar adequadamente durante a viagem).
• Fazer uso de meias de compressão elástica durante a viagem (para melhora do “retorno venoso” dos membros inferiores e diminuição da estase venosa e demais sintomas decorrentes dela. A meia elástica, no entanto, deverá ser prescrita após uma avaliação com o cirurgião vascular, que irá avaliar qual tipo e grau de compressão recomendado e se há alguma contraindicação para seu uso).
• Avaliação da necessidade ou possibilidade do uso de medicações profiláticas para TEV (essa também após a avaliação do cirurgião vascular ou, em alguns casos, do Hematologista).

Assim, as palavras de ordem para a prevenção do Tromboembolismo venoso em viagens são PLANEJAMENTO E DISCIPLINA. O planejamento
inclui uma avaliação prévia com o seu cirurgião vascular e, em alguns casos, o Hematologista, para avaliar cada caso em sua individualidade
e poder indicar, além das medidas preventivas padrão, recomendações específicas para cada caso.

Isso feito, podemos relaxar e desfrutar da experiência de viajar de forma tranquila e segura.

Dra. Taís Mori Sério – Cirurgiã Vascular – CRM 102.600 | RQE 56.399

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