Uveítes Não Infecciosas – Uma breve atualização

As uveítes não infecciosas são um grupo de doenças inflamatórias intraoculares que afetam a úvea, que é composta pela íris, corpo ciliar e coróide. Essas condições representam um desafio clínico devido à sua complexidade e heterogeneidade.

Classificação

As uveítes não infecciosas podem ser classificadas de acordo com a localização anatômica, incluindo anterior, intermediária, posterior e panuveíte. A etiologia dessas doenças é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, autoimunidade e resposta imunológica desregulada.
Estudos genômicos têm identificado várias variantes genéticas associadas a diferentes tipos de uveítes, fornecendo insights importantes sobre os mecanismos patogênicos envolvidos.

Uveíte anterior aguda: É a forma mais comum de uveíte não infecciosa. Afeta predominantemente a íris e o corpo ciliar. Pode ser associada a condições como artrite idiopática juvenil, espondiloartropatias, doença inflamatória intestinal, entre outras.

Uveíte intermediária: Também conhecida como pars planite, afeta principalmente o corpo ciliar e a retina posterior. Pode estar associada a doenças autoimunes diversas.

Uveíte posterior: Afeta principalmente a retina e a coroide posterior. Pode ser associada a doenças como sarcoidose, doença de Behçet, síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada, dentre outras.

Panuveíte: Envolve a inflamação de todas as partes da úvea, incluindo a íris, corpo ciliar e coroide. Pode estar relacionada a condições como artrite reumatoide, lupus eritematoso sistêmico, oftalmia simpática, dentre outras causas.

Diagnóstico

O diagnóstico preciso das uveítes não infecciosas é fundamental para o manejo adequado e a prevenção de danos oculares. A avaliação clínica detalhada, incluindo histórico médico e exame oftalmológico completo, é essencial. Além disso, exames complementares, como exames de imagem (tomografia de coerência óptica, ultrassonografia ocular) e testes laboratoriais são frequentemente necessários para identificar a causa subjacente e direcionar o tratamento.

A abordagem multidisciplinar, especialmente com suporte e acompanhamento da reumatologia é fundamental!

Tratamento: O tratamento das uveítes não infecciosas é individualizado e baseado na gravidade, localização e causa subjacente da inflamação. A terapia imunossupressora desempenha um papel importante no controle da inflamação ocular. Corticosteroides, tanto tópicos quanto sistêmicos, são frequentemente a primeira linha de tratamento para controlar a atividade inflamatória aguda. No entanto, seu uso prolongado pode levar a efeitos colaterais indesejados. Terapias imunomoduladoras, como munossupressores convencionais (azatioprina, ciclosporina) e biológicos (inibidores de TNF-α, rituximabe), têm sido cada vez mais utilizadas para manutenção a longo prazo e redução da dependência de corticosteroides.

Abordagens Emergentes: Avanços recentes na terapia direcionada têm revolucionado o manejo das uveítes não infecciosas. Inibidores de citocinas específicas, como o tocilizumabe (anti-IL-6) e o ustekinumabe (anti-IL-12/23), têm mostrado eficácia promissora em ensaios clínicos recentes. Terapia intra-vítrea com corticoesteróides mostram-se cada vez mais eficazes no controle e resolução do edema macular associado.

Dr. Neson Chamma Capelanes – Oftalmologista | CREMESP 133455 | RQE 40.515

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