Um olhar no retrovisor

Não há quem discorde do entendimento de que a saúde é o bem mais valioso de nossa
existência, como indivíduo e enquanto Estado.
No entanto, só para refrescar a memória, a pauta de reivindicações a ela relacionada, remonta a vários anos e em
outubro 2012, levou a classe médica e suas entidades representativas às ruas e a elaborar uma carta muito esclarecedora
à sociedade e às autoridades em que compartilhava o diagnóstico da situação, assim como, elencava uma série de medidas cuja implementação se fazia urgente.
O caos estava instalado, tanto na saúde pública, quanto na suplementar e a mídia noticiava denúncias contra hospitais
e médicos, emergências superlotadas com pessoas morrendo em macas, desassistidas, déficit de médicos, cirurgias em espera, falta de medicamentos, etc. A população era induzida a acreditar que a culpa era dos médicos gananciosos.
Quem não se lembra?

Naquela ocasião, nossas Entidades apontavam:
1- a perversa assimetria na distribuição da população médica e as razões pelas quais ocorrem;
2- a má gestão, os vieses de prioridades e os desvios dos recursos na saúde;
3- a ausência, simplesmente de política de saúde para o país.

Também entre outras propostas, recomendaram:
1- o empenho mínimo de 1% do PIB no setor saúde para tentar chegar próximo do que se investe em países civilizados;
2- a criação de um Plano de Cargo, Carreira e Vencimento, de vínculo federal, nos moldes dos juízes e que desse garantias
de estabilidade aos profissionais de saúde que até então ficavam à mercê dos políticos e dos ventos políticos locais;
3- real autonomia para a Agência Nacional de Saúde.

Ao invés disso, após várias vezes o governo da época negar a intenção, mas na forma como todos nós testemunhamos, veio o Programa “Mais Médicos, que sem necessidade de tecer comentários, deu no que deu. Só não tem como
esquecer a violência praticada contra as Entidades Médicas e contra os médicos.
Tempos depois, Entidades Médicas, com a ajuda do então ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta e a bancada da saúde no Congresso, conseguiram aprovar o Programa “Médicos pelo Brasil”, com regras claras de funcionamento, acesso (concurso público), atribuições, contratualização, remuneração e progressão.
O Programa prioriza regiões mais necessitadas e provê profissionais selecionados, treinados e supervisionados de modo sustentável, com perspectivas de a médio e longo prazo, mitigar as graves deficiências do nosso sistema de saúde pública e sem o imediatismo eleitoreiro.
Eis que novos ventos políticos, novamente trazem a pauta, propondo um programa “Mais Médicos Modificado”.

Dr. Gabriel C. Alvarenga – Diretor de Defesa Profissional da APM Indaiatuba

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