Propaganda cancerosa

À imagem do corpo biológico, o qual cuida, a medicina é uma amálgama de conceitos funcionais, edificados e interligados a partir de processos observacionais empíricos e científicos, cujo objetivo tão somente seria preservar a saúde e a vida, através de práticas preventivas e intervencionistas diagnósticas ou terapêuticas.

Para seu aprimoramento e exercício, ela precisa ser ensinada, de preferência em boas escolas e exercitada dentro do mais profundo respeito ao próximo e em beneficio dele, pautada nos ensinamentos hipocráticos e objetivamente, no código de ética médica.

À margem da consagrada boa prática e postas em evidência pela ferramenta digital midiática, práticas charlatanescas desvirtuosas do espírito de amor e de compaixão pelo outro se aproveitam da ingenuidade, da tolice alheia para lucrar em nome da medicina e da ciência.

É lamentável observar a timidez de autoridades que deveriam assumir uma ostensiva fiscalização e enquadramento dessas “células cancerosas” em franca proliferação, pois constituem uma séria ameaça à saúde pública e à ordem econômica.

Não se trata de liberdade de expressão ou de liberdade de empreendimento, mas sim, de uma nova modalidade de golpe dentro da área de saúde em geral aninhado em bolsões de seguidores irracionais. Qualquer médico ou entidade médica que queira experimentar ferramentas digitais para divulgar conteúdos, não deveria ignorar as cardinais regras norteadoras da CODAME (Comissão de Divulgação de Assuntos Médicos), que por sua vez não deve tolerar essa epidemia vergonhosa e danosa.

Não médicos e entidades não médicas, deveriam se sujeitar à regras específicas, das autoridades sanitárias como Ministério da Saúde e Agência Nacional da Saúde (ANVISA).

A mídia convencional está devendo muito neste debate.

Dr. Gabriel Alvarenga – Diretor de Defesa Profissional da APM Indaiatuba

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