Oppenheimer

“Oppenheimer” é o novo trabalho do cineasta inglês Christopher Nolan, que tem alcançado grande êxito em Hollywood. Alguns de seus filmes são: “Amnésia” (2000), “A Origem” (2010), “Interestelar” (2014), “Dunkirk” (2017), além de Batmans.

O filme é uma adaptação da biografia escrita por Kai Bird e Martin Sherwin, de 2006, Oppenheimer – O triunfo e a tragédia do Prometeu americano, prêmio Pulitzer, lançado agora no Brasil pela editora Intrínseca, aproveitando a onda do lançamento cinematográfico sobre o importante personagem histórico, o físico conhecido como o pai da bomba atômica.

Claro que Robert Oppenheimer (1904-1967) tem uma história, em linhas gerais, conhecida. Mas me preparei para uma jornada incômoda. Surpreendentemente, não foi o que aconteceu. Não digo que o filme não exija atenção concentrada do espectador, mas eu acompanhei com muito gosto as longas três horas de exibição. Sem maiores dificuldades, apesar de não ter tantas informações sobre o tema.

Não consegui identificar todos os personagens envolvidos, mas isso não importa muito. O que o filme traz é bem claro, tanto no que se refere à conquista científica e o compromisso ético que ela tem de engendrar, quanto na enviesada leitura ideológica anticomunista, que transformou o herói em traidor, quando nem deveria ser essa a questão. O que é lealdade à pátria e aos compromissos bélicos aí incluídos? Cabe a
reflexão honesta e a expressão autêntica do pensamento se tornarem públicas? Como aliados na guerra se comportam, uns em relação aos outros, em confronto com suas diferenças, apesar de objetivos comuns?

Como escolhas políticas podem distorcer a compreensão de fatos que poderiam ser perfeitamente entendidos, se outros interesses, pessoais inclusive, não entrassem na história?

São muitas e importantes as questões abordadas. E absolutamente atuais, se pensarmos no substrato das armas atômicas que estão ameaçadoramente presentes na invasão da Ucrânia pela Rússia, a guerra do momento.

O filme não faz alusão à contemporaneidade da questão, mas é inevitável que nós o façamos.
Com todo esse conteúdo, muita fala e complexidade, “Oppenheimer” é um filme bonito de se ver. O uso do som apresenta grande intensidade e precisão, o que valoriza também o momento do silêncio. A música que acompanha as cenas e acentua o suspense, depois se torna minimalista, após o silêncio, e se liga a uma exploração de imagens que ilustram a física nuclear, com suas manifestações representadas por ondas, nuvens e explosões.

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