Morbidade Ortopédica na Peri e Pós Menopausa: Osteoporose e as Fraturas por fragilidade

A osteoporose é definida como diminuição da densidade óssea, que compromete a arquitetura desse tecido e tem como consequência última e mais grave as fraturas por fragilidade, ou seja, aquelas fraturas que ocorrem na ausência de um mecanismo de trauma desencadeante.

Os locais mais acometidos são a coluna, o punho e o quadril, sendo esse último o mais preocupante, isso porque sempre demandam tratamento cirúrgico e estão associados a taxas alarmantes de morbidade e mortalidade. Entre 12-20% dos pacientes que sofrem fraturas no quadril evoluem a óbito nos 2 anos subsequentes ao episódio, dos demais 50% perdem a independência gerando uma importante redução na qualidade de vida, bem como um grande impacto econômico.

Tal impacto também atinge os sistemas públicos e privados de saúde, gerando, nos EUA um gasto de aproximadamente 23 bilhões de dólares/ano. No Brasil, o tratamento de uma fratura do quadril do idoso varia entre 5 e 50 mil reais e, por essa razão, muitas instituições possuem protocolos rigorosos de tratamento a fim de minimizar o tempo de internação, já que ele é diretamente proporcional ao gasto.

Diante de tantas consequências mórbidas e onerosas, surge um importante questionamento: é possível evitar essas fraturas? Preciso ser um especialista para isso? Veremos a resposta a seguir.

Prevenção e Diagnóstico

A prevenção da osteoporose é chave para combater as fraturas por fragilidade. O rastreamento através da densitometria óssea tem baixo custo (R$150,00) e é recomendado para mulheres acima de 65 anos e homens acima de 70 anos. Se diagnosticada, a osteoporose deverá ser tratada de acordo com os protocolos atuais com medicamentos como alendronato.
Entretanto, temos ainda um alto índice de fraturas em pacientes mais jovens, cujo rastreio não é obrigatório, o que nos gera uma nova dúvida: Como proceder nesses casos?

Desde 2008 temos como aliada uma importante ferramenta chamada FRAX (em português: ferramenta de avaliação de risco de fratura). Trata-se de um algoritmo capaz de calcular a probabilidade de fratura nos próximos 10 anos a partir de fatores clínicos de risco obtidos facilmente. Nos casos em que o FRAX aponta para um alto risco absoluto devemos intervir farmacologicamente, e se não estivermos seguros para isso, devemos encaminhá-lo a um especialista.

Tratamento Multidisciplinar

O tratamento da osteoporose deve ser abordado de forma multidisciplinar, envolvendo ortopedistas, ginecologistas, reumatologistas, endocrinologistas ou qualquer médico que se sinta habilitado a tratá-la.
Pacientes com fraturas prévias (um grande preditor para fraturas futuras), baixa densidade óssea (T-score ≤ -2,5) ou alto risco no FRAX devem receber medicamentos específicos a fim de aumentar a densidade óssea.
Sabemos ainda que o período peri-menopausa favorece o aparecimento da osteoporose e por esta razão deve haver comunicação com o ginecologista nas pacientes do sexo feminino, e, se houver indicações e benefícios suficientes, a reposição hormonal é uma grande aliada.

Além disso, há evidências de que suplementação de cálcio e vitamina D auxiliam na prevenção de osteoporose, especialmente para indivíduos acima de 50 anos.

Fraturas da Pelve: Um Novo Desafio

Recentemente, a atenção se voltou para as fraturas por fragilidade da pelve, que muitas vezes passam despercebidas em radiografias iniciais.

Essas fraturas, se não tratadas adequadamente, podem levar a complicações graves devido à imobilização prolongada.
O tratamento cirúrgico pode ser realizado com parafusos percutâneos, substituindo semanas de repouso no leito por de ambulação imediata.

Sendo assim a osteoporose é uma doença que apresenta alta morbidade e mortalidade, e que requer uma abordagem ampla e multidisciplinar. Rastreio, estratificação de risco, suplementação de cálcio, vitamina D e reposição hormonal, podem evitar fraturas associadas a osteoporose.

A prevenção e tratamento adequados, não apenas aumentam a sobrevida, mas mantêm a independência e a qualidade de vida dos indivíduos afetados.

Dr. Marcos Paulos Sales dos Santos – Ortopedia e Traumatologia | CRM 175990 – RQE 95420

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