Introdução aos Tumores Músculo-Esqueléticos Parte 3

Na edição anterior vimos os principais exames de imagem e laboratoriais utilizados para a investigação diagnóstica na suspeita de um tumor musculoesquelético. E agora que sabemos o tipo de tumor que estamos lidando, como tratá-lo?

Antes de pensar no tratamento em si, precisamos estadiar o tumor, ou seja, determinar se é maligno ou benigno, a gravidade do acometimento tecidual e regional, se possui metástase, e para isso utilizamos escalas. O estadiamento é imprescindível para ditar o tipo de tratamento, de cirurgia e o prognostico do paciente.

Também precisamos determinar, nos casos dos tumores que acometem os ossos, se o paciente apresenta chance de ter a chamada “fratura patológica”, ou seja, o osso quebra independente de trauma devido a fragilidade do osso causada pelo tumor. Em muitos casos, será necessário realizar a fixação profilática da fratura (fixar o osso para evitar que este quebre).

A grande maioria dos tumores necessita de excisão cirúrgica e, conforme o tipo celular e o estadiamento decidimos se será uma cirurgia mais extensa, com retirada de margens oncológicas ou se será menor, apenas com ressecção e podendo preservar os tecidos ao redor.

Quais são as possíveis margens cirúrgicas?
Intralesional: remove parte da lesão (curetagem) utilizada para tumores benignos Marginal: remove o tumor todo através de sua pseudocápsula (zona reativa) utilizada para tumores benignos e intermediários Ampla: remove o tumor todo com margem livre (tecidos sadios) utilizada para tumores malignos Radical: remove todo o compartimento anatômico acometido pelo tumor utilizada para tumores malignos mais graves

Após a cirurgia, o paciente precisará muitas vezes de substitutos ósseos para preencher o espaço deixado pela excisão do tumor, e alguns materiais podem ser utilizados: enxerto ósseo autólogo (osso do próprio paciente), enxerto homólogo (osso de outro ser humano) ou enxerto heterólogo (osso de outra espécie, ex: bovino), hidroxiapatita, fosfato de cálcio, biovidro e metilmetacrilato (cimento ortopédico). Além disso, também podem ser necessárias a colocação de próteses/endopróteses para substituição do membro ou articulação operada.

O tratamento do paciente será em conjunto com a equipe de Oncologia Clínica, que determinará a necessidade de quimio ou radioterapia. A radioterapia é um procedimento no qual a radiação emitida forma radicais livres intracelulares, que irão danificar o DNA da célula, diminuindo a capacidade de proliferação e aumento do tumor. Já a quimioterapia é utilizada como uma associação de drogas que também irão danificar as células tumorais (e as saudáveis também). Um esquema muito utilizado é a realização de quimioterapia antes da cirurgia (neoadjuvante) na tentativa de diminuir o tamanho do tumor para que a cirurgia não precise ser tão extensa, e após a cirurgia o paciente faz a quimioterapia (adjuvante)
novamente para tratar as células remanescentes.

O principal objetivo da equipe de Oncologia Clínica e Ortopédica é fazer o paciente retornar o mais rapidamente possível a sua vida normal com autonomia e conforto. Sempre bom salientar a importância da equipe multidisciplinar no tratamento, como enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais, para que o paciente seja assistido de todas as formas que necessitar para passar por esse processo tão difícil da melhor maneira e para que seus familiares sejam também acolhidos. Para finalizar essas edições sobre tumores musculoesqueléticos, sugiro o acompanhamento rotineiro com os médicos da assistência básica e a qualquer sinal/sintoma diferente, procure atendimento, pois quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, melhores as chances de resolução do quadro.

Dra. Monize Bernardinetti | CRM 206.140

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