Há associação entre disfunção subclínica da tireoide e risco de fraturas?

A disfunção tireoidiana, tanto com a produção em excesso quanto com a falta dos hormônios triiodotironina e tiroxina pode levar ao enfraquecimento do arcabouço ósseo, sendo esse mais um motivo da importância da manutenção da homeostase. O tratamento dessas disfunções da tireoide é bem estabelecido quando há doença clínica, porém não há total consenso nas indicações do tratamento da doença subclínica.

O hipo ou hipertireoidismo subclínicos são comuns na população geral, podendo corresponder a 19% dos adultos da população americana. Essa condição pode estar associada ao maior risco de fraturas. Foi publicado no último mês no Journal of the American Medical Association – JAMA um estudo que investigou a associação de disfunção tireoidiana subclínica endógena com risco de fratura, independente de confundidores clínicos, em uma coorte baseada na comunidade de adultos americanos de meia-idade que se autoidentificam como negros ou brancos.

O Estudo

O estudo incluiu 10.946 participantes do Estudo de Risco de Aterosclerose em Comunidades, um estudo de coorte prospectivo em andamento de moradores de uma comunidade de indivíduos conduzidos de 1987-1989 até 31 de dezembro de 2019, no Condado de Washington, Maryland; Condado de Forsyth, Carolina do Norte; Jackson, Mississipi; e os subúrbios de Minneapolis, Minnesota. Os participantes não estavam tomando medicamentos para a tireoide e não tinham histórico de fraturas.

Os níveis de tireotropina e tiroxina livre foram medidos com o hipertireoidismo subclínico sendo definido como um nível de tireotropina inferior a 0,56 mIU/L, hipotireoidismo subclínico como nível de tireotropina maior que 5,1 mIU/L e eutireoidismo como nível de tireotropina de 0,56 a 5,1 mIU/L, com níveis normais de tiroxina livre de 0,85 a 1,4 ng/dL.

De 10.946 participantes (54,3% mulheres; idade média [DP], 57 [5,7] anos), 93,0% tinham eutireoidismo, 2,6% hipertireoidismo subclínico e 4,4% hipotireoidismo subclínico. Durante um acompanhamento médio de 21 anos (IQR, 13,0-27,3 anos), ocorreram 3.556 fraturas incidentais (167,1 por 10.000 pessoas-ano). As taxas de risco ajustadas de fratura foram 1,34 (95% CI, 1,09-1,65) para aqueles com hipertireoidismo subclínico e 0,90 (95% CI, 0,77-1,05) para aqueles com hipotireoidismo subclínico em comparação com indivíduos com eutireoidismo.

Entre aqueles níveis de tiroxina livre normais, os níveis de tirotropina na faixa abaixo do normal foram significativamente associados com maior risco de hospitalização relacionada à fratura e o risco de fratura foi maior entre indivíduos com concentrações de tirotropina abaixo de 0,56 mIU/L.

Conclusão

O estudo sugere que o hipertireoidismo subclínico foi um fator de risco independente associado à fratura. O risco aumentado para fratura entre indivíduos com nível de tireotropina inferior a 0,56 mIU/L destaca um papel potencial para triagem e monitoramento mais agressivos de pacientes com hipertireoidismo subclínico para prevenir a doença mineral óssea.

Dr. Giovanni V. C. Guedes – Ortopedista e Cirurgião da Mão

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