Evali – O risco por trás do cigarro eletrônico

O uso do cigarro eletrônico está aumentando em todo o mundo. Jovens em busca
de experimentar substâncias novas, e tabagistas ludibriados em tentativas de “redução
de danos”, são alvos de propagandas massivas empregadas pela indústria do tabaco, tornando essa modalidade de uso de nicotina um potencial problema de saúde pública atual.
De fato, sabe-se hoje que assim como o cigarro convencional, o cigarro eletrônico, ou vaper, é capaz de provocar danos irreversíveis ao pulmão, além de também ter potencial cancerígeno atrelado. Dentre tantas doenças que o dispositivo eletrônico para fumar pode causar, a EVALI sem dúvida, é uma das mais temidas.
Mas afinal o que é EVALI?
EVALI é uma sigla derivada do inglês que denomina uma Síndrome Respiratória Aguda Grave causada pelo uso de cigarro eletrônico. Os casos foram descritos em 2019 e 2020, nos Estados Unidos, nos quais cerca de 13 mil usuários de cigarro eletrônico tiveram de ser hospitalizados e gerou mais de 60 óbitos. Na Síndrome, o paciente apresenta tosse, dispneia, queda da saturação e necessidade de intubação orotraqueal nos casos mais graves.
Durante a investigação dos casos muitos usuários, além de fazerem uso regular do cigarro eletrônico, associaram em sua composição aditivo de THC. Dessa forma, no início acreditou-se que a Síndrome estaria atrelada ao uso dos compostos presentes, fluido associado ao THC, contudo, cerca de 19% dos casos relatados de EVALI não tinham essa associação, ou seja, somente o uso do cigarro eletrônico já fazia o indivíduo desenvolver a Síndrome.
Tendo isso em mente, é muito difícil contemplar a ideia que utilizar o cigarro eletrônico será melhor do que o convencional. De fato, ambos fazem mal. São péssimos a saúde respiratória e ao organismo como um todo, portanto, discutir a necessidade de sua liberação é o mesmo que escolher a qual lobby desta indústria devemos ceder.
É importante lembrar que é um dever do Estado proteger a população de substâncias tóxicas e informá-la quanto os seus riscos, e que o Brasil é signatário da Convenção-Quadro para o Controle de Tabaco (CQCT/OMS), na qual se compromete a adotar políticas para proteger-se da indústria do tabaco conforme a legislação nacional.
Por fim, não cabe a nós como profissionais médicos, defender uma dependência que tem potencial grave a saúde. Hoje o cigarro comum, causa prejuízo a saúde em mais de 125 bilhões ao ano direta ou indiretamente, enquanto arrecada cerca de 12 bilhões em impostos. Qual será a desagradável conta que teremos que fazer com o uso do cigarro eletrônico?

Dra. Laura Deltreggia – Pneumologista
CRM 139.347 | RQE 56673

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