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ENSINO MÉDICO

Publicado em 26/06/2015 às 12h54

Categoria: Especial

Autor: Não definido - Não definido



Como o senhor analisaria a crescente oferta de cursos de Medicina no País? Ninguém tem nada contra a abertura de cursos de Medicina, mas acontece que muitos destes cursos têm finalidade lucrativa. Na Faculdade de Jundiaí, onde lecionei 33 anos e também fui diretor, é um bom exemplo de ensino superior, porque é uma autarquia municipal, recebe verba mínima do município e, devido ao repasse pequeno, começou a cobrar mensalidade para não fechar as portas. Porém, o valor cobrado é bem menor do que no restante do País e, mesmo assim, o orçamento é suficiente para cobrir toda a despesa, inclusive os pagamentos dos funcionários e as reservas para investimentos e melhorias. Isto é possível porque o interesse da faculdade é no ensino, não há fins lucrativos. Todas as faculdades de Medicina deveriam ser mais ou menos parecidas – funcionarem como instituições, com interesse no ensino. Além disso, o governo não deveria permitir o funcionamento de uma faculdade de Medicina se ela não tivesse hospital garantindo internato para todos seus alunos. Quais os principais problemas dos cursos de Medicina? Quem termina o sexto ano tem conhecimento em clínica médica, clínica cirúrgica, pediatria, medicina social ou de família, ginecologia e obstetrícia. Quando este pessoal sai da faculdade, têm condições mínimas para atender a população em todas estas áreas, porque aprenderam na graduação. E o serviço público faz uma coisa que vai contra esta ideia. Ele contrata por especialidades e, desta forma, acaba prejudicando o atendimento, pois os outros médicos não atendem e a respectiva área fica descoberta. Se contratassem profissionais que atendessem todas as áreas – provavelmente iríamos recuperar a credibilidade do SUS. Se necessário, num caso mais complexo, o profissional encaminha para um ambulatório. Ninguém deixa de ser atendido. Se só há especialistas, eles vão selecionar o que é da área deles, e o restante não é atendido. O governo teria de fazer concurso para médicos generalistas, com a obrigatoriedade de atenderem a todos. Os brasileiros produzem uma porção de médicos, mas os médicos, até por força da família, já escolhem a especialidade antes de terminar a graduação. Para que criar faculdades onde se ensina especialidades? Primeiro, o médico precisa atender geral. Com isso não seriam necessários programas como o “Mais Médicos”. Quais expectativas para o futuro da Medicina? Precisaria voltar a ser como no tempo em que iniciei a carreira e os médicos atendiam na própria casa. Com a volta desta prática, os organismos – convênios ou Estado – reembolsariam, ou não, o atendimento (por uma tabela adequada), mas diminuiria a adesão à Medicina de grupo – que é obrigada a dar lucros. Precisaria ser resgatada a humanização no atendimento. Atualmente, a Medicina acompanha a transformação da humanidade, e está baseada na cibernética. Cada vez mais máquinas irão substituir o homem e, com isso, vamos perdendo nossa habilidade intelectual.

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