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Avanço Tecnológico sim, exploração Não!

Publicado em 20/02/2019 às 18h06

Enquanto no campo da formação caminhamos no sentido da massificação, o acesso ao mercado de trabalho se estreita para o profissional médico. As contratualizações na saúde pública estão longe do ideal. Na saúde suplementar a absorção de novos médicos se faz a conta-gotas, muitas vezes sem transparência por parte de operadoras que regulam o mercado de trabalho e não necessariamente pelo critério da qualidade. A verticalização, sem discutir seu mérito, vem promovendo progressivo esvaziamento dos consultórios médicos. O processo de concentração da assistência, junto com a disponibilidade cada vez maior de novas tecnologias, aos poucos vem minando o que há de mais sagrado: a qualidade na relação médico-paciente com a virtualização, a automatização e a banalização do seu ritual semiológico e propedêutico. Vivemos num país continental com muitas desigualdades, inclusive no acesso à saúde, mas também num ambiente tecnológico que na última década se mostrou altamente disruptivo. Startups hoje são incubadas e introduzidas no mercado para se tornarem altamente lucrativas em razão de conexões e facilidades que podem redundar em ganhos de eficiência e produtividade. A Telemedicina é um tema que mais cedo ou mais tarde iria ser objeto de debate. As questões que precisam ser respondidas são: quando, como, a favor de quem c cm detrimento de quem? 
O ideal seria que fosse moldada, antes de tudo, aos preceitos da medicina, protegidos pelo Código de Ética Médica, sem trazer vulnerabilidades éticas e econômicas para o médico ou para o paciente. A dimensão desta problemática requer amplo debate e devida tipificação e atribuição de responsabilidades que não devem ser exclusivas do médico. Por trás de sua complexa logística existem mentores com expectativas de lucros exorbitantes que a Resolução Normativa do CFM No. 2.227/18 em nenhum momento aponta como solidários na responsabilização, inclusive perante violações de sistemas dos quais, mesmo grandes bancos e grandes corporações conseguem permanecer imunes, só a titulo de exemplo. Haverá uma acomodação perversa do mercado de trabalho médico sem de fato ampliar ou melhorar o acesso, haja vista os preços propostos. Na remuneração, não há clareza na participação do profissional detentor do conhecimento e da habilidade técnica. O modo repentino e precipitado como foi anunciada a Telemedicina mais parece algo proposital e estratégico, prevendo e tentando desviar da desconfiança e da antipatia da classe médica, tratada mais uma vez como massa de manobra e mão de obra de baixo custo. Soa como um empreendimento, um nicho rentável a cravar a todo custo. 
Avanço tecnológico sim, exploração não! 
 

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