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A doença que mata a esperança

Publicado em 25/02/2019 às 09h42

Autor: Não definido - Não definido



Em 25 de novembro de 1901 a Sra. Auguste Deter, 51 anos, deu entrada no hospital psiquiátrico de Frankfurt. Há 1 ano vinha apresentando ciúmes, desorientação e declínio da memória seguidos de distúrbios de sono e dificuldades em se comunicar. Foi atendida pelo Dr. Aloysius Alzheimer, que se interessou pelo caso e inicialmente a diagnosticou como uma demência pré-senil. Durante os 5 anos de internação, a Sra. Auguste perdeu praticamente todas as suas capacidades cognitivas até que em abril de 1906 veio a falecer. Foi submetida a autópsia e seu cérebro mostrava grande atrofia cortical além das placas de proteína Beta-amilóide e emaranhados neurofibrilares. O que em 1901 era um quadro intrigante e raro hoje é cada vez mais frequente e preocupante. As demências são uma questão de saúde pública. Em 2015 havia 47 milhões de pessoas acometidas no mundo, o que representava um custo anual de US$ 818 bilhões. A expectativa é de que em 2050 sejam 150 milhões, sendo a maior parte em países com baixos índices de desenvolvimento. 
A demanda crescente de cuidados faz com que 85% dos custos estejam relacionados às questões sociais do cuidado. 
E o que a ciência nos trouxe de novos conhecimentos a respeito desta doença? Comparado ao que o Dr. Alzheimer fez pela Sra.Deter há 113 anos, não temos melhores possibilidades terapêuticas, muito menos a cura. Talvez embalado pelo ceticismo que contagia até os próprios profissionais, agências de saúde e cientistas e muito por ainda crer que este é um mal da idade. Investe-se 10 vezes mais em investigações clínicas relacionadas ao câncer(US$ 5 bilhões) do que nas pesquisas de Doença de Alzheimer(US$ 0,5 bilhões). Mesmo que o custo da doença de Alzheimer seja o dobro(US$ 200 bilhões) e cause um número semelhante de mortes (por volta de 500 mil). 
Dispomos atualmente apenas de fármacos para controle sintomático da doença que são os inibidores de acetilcolinesterase(donepezila, rivastigmina e galantamina) e Um estudo de mctanálisc do ano passado revelou urna discreta melhora de sintomas comportamentais, que não interferem positivamente na evolução da doença c têm muitos efeitos colaterais. Isso motivou o Ministério da Saúde francês a suspender o reembolso de 15% que dava por essas medicações. 
Houve um melhor entendimento quanto à evolução da doença. Baseados na identificação de biomarcadores (ainda predominantemente usados em ambito de pesquisa), sabemos que a doença começa a se manifestar 15 a 20 anos antes dos primeiros sintomas, caracterizando a doença pré-clinica. Evolui posteriormente para o comprometimento cognitivo leve e só posteriormente caracteriza-se o quadro de demência de Alzheimer. 
Os estudos com novos fármacos como a cerniu anti-beta-amilóide tem se mostrado frustrantes c muitos acabaram sendo interrompidos por causar grandes efeitos colaterais (encefalite c edema cerebral). Talvez o caminho seja a terapêutica antiproreina Tau. Os estudos ainda estão em fase 2 
Os progressos mais evidentes são os relacionados à promoção de saúde. Em 2015, num estudo nos países nórdicas, a dieta mediterrinca, controle rigoroso de fatores de risco cardiovasculares c prática esportiva regular levaram a uma redução do risco de desenvolver demências em torno de 30%. 
Em janeiro de 2019 foi publicado no JANIA e divulgado raramente na imprensa leiga a descoberta da Irisina Uma substancia derivada da fibronectina III, liberada pelos músculos durante o exercício, que inicialmente estava sendo estudada como transformadora de tecido adiposo branco em marrom c que foi detectada sua expressão no hipocampo. Posteriormente mostrou-se uma substancia que atua como mensageira que aumenta as sinapses melhorando a consolidação da memória em roedores, mamo naquela portadores de DA. 
Apesar dos poucos progressos nesta área, temos alguns pontos importantes. É fato que atamos 
frente a frente com uma questão premente, dispendiosa e dc extremo sofrimento para os indh,iduos e seus familiares. Não se deve levar pelo pragmatismo francês de simplesmente suspender as medicações. Os beneficies são pequenas, mas algumas vezes relevantes no que range ao controle dos sintomas comportamentais. 
As medidas de promoção de saúde ganham agora um papel ainda mais importante eabrangente,estendendo a responsabilidade da prevenção para rodos os profissionais de saúde. 
Finalmente o princípio de sempre proporcionar o conforto, amparar as famílias com esclarecimentos e apoio através de associações como a ABRAz é de extrema valia e segue na contramão do fatalismo. Mostra como o cuidado c o amor sempre são as melhores formas de lidar com os maiores desafias de nossas vidas, sem jamais perder a esperança. 

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