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Indaiatuba, 27 de Outubro de 2021
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Publicado em 22/09/2021 às 10:11:00
Categoria: Artigo
O médico e a política


Estamos passando por momentos difíceis no país. Assistimos a uma intensa polarização cujos protagonistas são identificados convenientemente como direita e esquerda, mas carregam propostas populistas e oportunistas indissociáveis da realidade das demandas socioeconômicas brasileiras. Mais ainda, esse acirramento se dá em função dos sentimentos de raiva e rejeição provocados por posturas e condutas repreensíveis, antigas e recentes de ambas as partes, com as quais não podemos ser complacentes. 

Interessante observar que os graves erros cometidos por um lado alavancam o outro, e aguçam ainda mais a polarização instalada.

Para garantir a boa vitalidade da nossa jovem democracia, devemos simplesmente reprovar no voto, aqueles que se mostraram ou se mostram delinquentes da democracia e lutar por uma reforma política que nos poupe de ter de escolher em condições tão precárias. 

Infelizmente, assistimos a uma flexibilização venenosa da ética na política que muito nos enfraquece enquanto nação.

A classe médica, à imagem da sociedade como um todo, também está muito dividida e perdeu de vista os graves desafios que historicamente pairam sobre o futuro da medicina no país. Há desafios que são de caráter naturalmente evolutivo, inerentes à profissão, mas há outros de viés político, claramente danosos para o ecossistema da saúde, onde as brisas da massificação e da permissividade estão se tornando cada vez mais nítidas, trazendo sérias ameaças à saúde do cidadão, à qualidade e à segurança da prática da medicina. 

Vamos lembrar que em plena pandemia, nenhum dos poderes da república se dispôs a abrir mão de privilégios.

Precisa dizer que o futuro da medicina está nas mãos daqueles que votam pelo aumento imoral do fundo partidário e do fundo eleitoral? Daqueles que em virada de mesa, mudam a lei de prisão em segunda instância e da elegibilidade de condenados em segunda instância? Daqueles que aprovaram a massificação da formação médica e que estão para votar pela aprovação do Revalida “light”?

Deveríamos e talvez principalmente, olhar para os políticos do ponto de vista do futuro que sonhamos para nós mesmos, para as gerações futuras e sem sombra de dúvida, para a saúde que almejamos enquanto trabalhadores da área, consumidores de saúde e enquanto cidadãos. Isso porque somos médicos e temática da saúde é a que melhor entendemos. 

Se começarmos a defender a medicina com igual energia investida atualmente na defesa das ideologias, certamente não haverá como a saúde naufragar.