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Indaiatuba, 03 de Março de 2021
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Publicado em 18/02/2021 às 18:57:00
Por: Dr. Pedro Ricardo de Oliveira Fernandes - Cirurgião Oncológico
Categoria: Notícia em Destaque
Cuidados paliativos terminais – Parte II


Existem dois tipos de paciente paliativo: o em fase terminal ou muito avançada de doença e o não terminal, ainda com perspectiva de algum tratamento oncológico e/ou clínico específico de alta complexidade, até mesmo, cirúrgico paliativo, para poder usufruir de, pelo menos, um mínimo tolerável de dignidade numa sobrevida razoável.
Existem pacientes paliativos em fase terminal que são virgens de tratamento, uma vez que já se apresentaram ao serviço de saúde em tal condição irreversível e sem condição físico-clínica para um tratamento específico, senão os cuidados paliativos exclusivos (melhor suporte básico de vida possível). 
“Deixar morrer dignamente não é matar. O compromisso primordial da Medicina não é a cura.  É ajudar. Medicina e cuidados paliativos constituem-se tanto de BOM SENSO quanto de ciência.”
Morte por doença grave não é fracasso do bom médico. É “fracasso” do corpo humano perante as mazelas da Humanidade. A doença é a autora da morte, mas não o médico que a assiste com consolo, limites e humildade.
É direito do paciente saber de toda a verdade, não sendo culpa do bom médico, a doença que aflige o seu doente.  E é dever do médico dizer toda a verdade.  No entanto, mormente na Oncologia Paliativa, é bem visto e até “exigido” ou forçado que o médico esconda a verdade absoluta, preservando um pouco de esperança.  A extensão da notícia e da verdade varia em cada caso, cada paciente, cada mente, cada família.  Por outro lado, deve-se evitar excesso de ilusão e, consequentemente, despreparo persistente e deveras sofrível do paciente e dos familiares para o Fim desta Jornada.
Taxar o paciente paliativo de “poliqueixoso” é assinar atestado de incompetência como paliativista e cuidador. Não basta ter ciência. Tem que ter bom senso, sensibilidade, aptidão, talento e força de vontade.
O paciente terminal jamais deve se tornar um simples cobaia submetido a sofrimento desumano ou fútil para experimentação desenfreada.
Infelizmente, a distanásia é bastante estimulada por familiares leigos e desesperados.  Cabe ao médico ter calma, segurança, clareza e bom relacionamento médico-paciente-família para agregá-los à dignidade e nobreza dos fundamentais cuidados paliativos reais, como uma equipe unida.
Uma conversa serena e clara com o doente e seus familiares são fundamentais para a prática consensual da ortotanásia.  Mesmo o analfabeto, paciente ou familiar ou acompanhante maior responsável, costuma entender muito bem a língua portuguesa, mas jamais um palavreado médico impaciente, arrogante ou obscuro.
Para uma alma amputada, não existe prótese ! Cuidado para não ferir a alma do seu paciente; e deixe-a ir em Paz…