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Indaiatuba, 03 de Março de 2021
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Publicado em 18/02/2021 às 18:56:00
Por: Dra. Celene Queiróz Pinheiro de Oliveira - Geriatria
Categoria: Publicidade
Uma dose de esperança


Desde o início da pandemia da COVID-19 no final do ano de 2019, e posteriormente com o alastrar da doença com suas trágicas consequências por todo o mundo, o que mais se ansiava era pelo desenvolvimento de uma vacina que nos devolvesse a vida que tínhamos antes. Muito já se avançou no conhecimento quanto ao manejo dos casos graves, mas ainda não temos a cura. Graças a todo um conhecimento prévio e uma dedicação incansável dos cientistas, conseguiu-se enfim, lançar as tão esperadas vacinas. 
Devo salientar que a imunização é a segunda maior responsável pelo aumento da longevidade humana, ficando apenas atrás do saneamento básico. 
Muito se discute quanto à eficácia, se essa ou aquela vacina tem um perfil mais favorável. O fato é um só: Não teremos direito à escolha. Teremos que tomar aquela que estiver disponível. Vacina boa é vacina aplicada. Se a eficácia da Coronavac, por exemplo é de 50% para não adoecer e de quase 78% quanto aos casos graves, podemos imaginar qual seria o impacto de desafogar os leitos de hospital em 78%! Isso sem falar em redução de 100% em mortes. Quantas mortes precoces poderemos evitar?
Sou grande entusiasta das vacinas! As vejo como uma ferramenta fundamental para a proteção do equilíbrio da saúde particularmente dos idosos,  que naturalmente têm a imunidade mais debilitada. Nessa população em especial, se questiona a eficácia de vacinas como a da Oxford, o que levou muitos países a duvidar se deveria ser aplicada nesta população. É conhecido que o processo de imunosenescência leva a uma menor resposta imune às mais variadas vacinas. No entanto essa população é a mais acometida por casos graves (mortalidade de 66% entre os >80 anos), sendo assim toda e qualquer proteção é bem-vinda. 
As opções que temos hoje disponíveis no SUS estão longe de serem perfeitas, mas são muito boas. A Coronavac é uma vacina de vírus inativado (plataforma já bem conhecida utilizada em vacinas como a da Poliomielite e Hepatite A) de fácil armazenamento e o intervalo entre as doses é de 2 a 4 semanas. A Vacina de Oxford  é uma vacina que usa um adenovírus de macacos, que não causa doença em humanos por carregar um fragmento de RNA do coronavírus. Apresenta 70% de eficácia já na primeira dose mas é necessário a segunda dose, em  12 semanas. 
A segurança de ambas, Oxford e Coronavac, foram suficientemente testadas, uma vez que as reações adversas às vacinas em geral acontecem nas 8 semanas subsequentes à aplicação. Se limitam a dor local, mialgias, cefaleia, mas são quadros autolimitados e melhoram com a administração de antitérmicos convencionais. 
Temos no momento 8 vacinas registradas e 2 em uso limitado no mundo. No Brasil 2 apenas liberadas para o uso emergencial pela ANVISA. Já são 41 vacinas na fase clínica, além de 222 projetos pré-clínicos. Isso nos faz acreditar que num futuro não tão distante, teremos vacinas melhores, mais eficazes, de mais fácil produção, com dose única e com maior facilidade de armazenamento. 
Portanto, todos nós médicos, como agentes formadores de opinião e promotores de saúde, devemos  incentivar nossos  pacientes a se vacinarem contra a COVID-19. As vacinas fornecidas pelo sistema público são de excelente qualidade, seguras e eficazes. Vale apenas enfatizar que as medidas de prevenção como isolamento social, uso de máscaras e higienização das mãos devem ser mantidas mesmo após a vacinação. A capacidade dessas vacinas em inibir a disseminação ainda é incerta. 
Lembrando que quando nos protegemos nos imunizando estamos pensando não somente em nós mesmos, mas em toda a nossa comunidade. Assim, alcançaremos juntos um novo tempo em que possamos novamente nos abraçar e viver sem medo.