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Indaiatuba, 19 de Outubro de 2019
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Publicado em 20/09/2019 às 16:23:09
Por: Dr. Francisco Carlos Ruiz - Consultora Senior de Viagens Particulares
Categoria: Notícia em Destaque
Dr. Renato Maschietto e as Mudanças na Medicina dos Anos 70


A cidade que dispõe do trabalho de centenas de médicos atualmente, tinha 7 médicos quando o Dr. Renato Maschietto aqui chegou. Indaiatuba contava com os médicos Dr. Pedro Maschietto (pai), Dr. Pedrinho Maschietto (filho), Edmur Belluomini, Dr. Mário Paulo, Dr. Renato Riggio (pai), Dr. Paulo Kóide e Dr. Jalma Jurado.
Irmão mais velho do Dr. Rogério Maschietto, formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade Federal Fluminense em 1967. Sobrinho do Dr. Pedro Maschietto (pai), desde cedo estagiava e trabalhava em hospitais do Rio de Janeiro e Niterói, atuando principalmente na área de cirurgia abdominal. Permaneceu por dois anos no Rio de Janeiro, especializando-se em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Dr. Renato trabalhou também por dois anos em Echaporã/SP, quando foi convidado pelo Dr. Pedro Maschietto Filho a vir para Indaiatuba.
Inicialmente, foi residir com a esposa e o filho de 10 meses em um apartamento alugado pelas freiras no prédio que viria a abrigar a Casa de Repouso Indaiá. Começo difícil, para não fugir à regra de todos os médicos que se instalaram em Indaiatuba naquelas décadas. Contratado para trabalhar no Posto do INPS de Salto em “caráter precário”, como era comum, foi aprovado em concurso tempos depois. Trabalhou também no Posto de Saúde do Estado, situado na Av. Presidente Vargas, próximo à antiga rodoviária. Trabalhou naquela unidade junto ao Dr. Mário Paulo, atendendo crianças e adultos, principalmente no tratamento de doenças como hanseníase, tuberculose pulmonar, vacinação e outras doenças como era comum na época.
Trabalhou também no Hospital Augusto de Oliveira Camargo, como todos os médicos que atuavam na cidade, já que o serviço médico estava centrado no atendimento hospitalar. Dr. Renato lembra que todos procuravam realizar as cirurgias em parceria com outro colega. Lembra que realizou muitas cirurgias com o Dr. Pedro Maschietto (pai), Dr. Pedrinho e com o Dr. Jalma Jurado, o qual também dominava com muita competência a área de anestesiologia até a chegada do Dr. Orlando Annicchino Jr. em 1972. Mais tarde, passou a operar com o Dr. Waldemar Prandi Filho por muitos anos. No início dos anos 70 ainda permanecia o modelo de atendimentos em consultórios nas residências dos médicos. Dr. Renato, Dr. Pedro Maschietto (filho), Dr. Edmur e Dr Berton oftalmologista criaram um consultório médico coletivo, ou seja, uma clínica com várias especialidades. Foram, posteriormente, procurados pelos donos da Sancil, uma sociedade de médicos, modelo que veio a ser conhecido como “Medicina de Grupo”, e foram convidados a firmar convênios com aquele plano de saúde. Eram atendidos pacientes de indústrias grandes como a Singer (Indústria de máquinas e outra de agulhas). O modelo de atendimento era muito simples em relação à complexidade atual. Limitava-se a atendimentos ambulatoriais. Cirurgias e internações eram realizados de forma convencional pelo INPS/INAMPS.
O modelo de atendimento era muito simples, porém na mesma época iniciou-se a estruturação da Unimed Campinas que vedava a participação de médicos cooperados no atendimento pelas chamadas “medicinas de grupo”, consideradas concorrentes diretas do modelo cooperativista. Dr. Renato lembra que este foi o momento de um grande “cisma” na classe médica de Indaiatuba.



Os médicos se dividiram entre aqueles que aderiam ao sistema cooperativista da Unimed Campinas e aqueles que participavam do modelo de “medicina de grupo”. Tal divisão se perpetuou ao longo dos anos e tem reflexos no conjunto de médicos ainda nos dias de hoje, embora de forma muito atenuada. Tal divisão propiciou o crescimento da clínica de especialidades que veio a se chamar Samil, a qual se desenvolveu e deu origem ao hospital Santa Inês. A Clínica Samil chegou a ter 12 mil vidas, em usuários. Muitos anos depois, os planos de saúde foram transferidos para outras empresas e o hospital firmou convênio com a Unimed Campinas, quando a divisão entre médicos se atenuou de forma decisiva.
Dr. Renato lembra que no início dos anos 70 os médicos ainda usavam camisa e gravata no centro cirúrgico, sendo que as roupas cirúrgicas foram adotadas posteriormente. O centro cirúrgico era aberto, ou seja, não tinha janela parao pátio. Foicom a ajuda do Funrural,o qual destinava uma verba fixa, não relacionada ao número de atendimentos e também de alguns médicos, entre eles o Dr. Pedrinho Maschietto, que pode ser comprado o primeiro aparelho de ar condicionado e a abertura do centro cirúrgico para o pátio pode ser fechada. Foi somente em meados dos anos 70 que se começou a ter uma equipe de plantonistas pagos, inicialmente nos plantões noturnos. Alunos do 6º ano da Unicamp foram contratados, como Dr. Badan Palhares e Dr. Berton. Na mesma época foram realizados os primeiros exames de ultrassom pelos radiologistas Divaldo Queiroz e Lívio Nanni.
Casado com Sra. Marlea, tem 3 filhos: Cesar (comerciante), Murilo (médico radiologista), e Raquel (psicóloga). Dr. Renato representa um grupo de médicos que viveu intensamente as transformações da medicina dos anos 60 para os anos 70, com a adoção de modelos ainda hoje utilizados. Vivenciou a paciência do Dr. Paulo Kóide, que sentava e esperava pela evolução do parto normal, ao surgimento do ultrassom que possibilitou enormes avanços na prática médica.