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Indaiatuba, 24 de Fevereiro de 2020
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Publicado em 20/02/2020 às 15:23:09
Por: Dr. José Roberto Provenza - Reumatologista e Presidente da Soc.Brasileira de Reumatologia
Categoria: Notícia em Destaque
Fevereiro Roxo – Fibromialgia


Embora seja reconhecida há muito tempo, a Fibromialgia (FM) tem sido seriamente pesquisada há quatro décadas. A FM não era considerada uma entidade clinicamente bem definida até a década de 1970. O conceito da FM foi introduzido em 1977 quando foram descritos sítios anatômicos com exagerada sensibilidade dolorosa, denominados tender points, nos portadores desta moléstia, assim como distúrbios do sono.
A fibromialgia (FM), uma síndrome clínica comumente observada na prática médica diária, possui etiopatogenia ainda não completamente elucidada. As hipóteses atuais focalizam os mecanismos centrais de modulação e amplificação da dor na gênese da FM. Tem sido aceito um modelo de fisiopatologia, que integra muitas das ideias publicadas e que sugere que o distúrbio primário na FM seria uma alteração em algum mecanismo central de controle da dor, o qual poderia resultar de uma disfunção de neurotransmissores. Tal disfunção neuro-hormonal incluiria uma deficiência de neurotransmissores inibitórios em níveis espinhais ou supraespinhais (serotonina, encefalina, norepinefrina e outros), ou uma hiperatividade de neurotransmissores excitatórios (substância P, glutamato, bradicinina e outros peptídeos). Possivelmente, ainda, ambas as condições poderiam estar presentes. Tais disfunções poderiam ser geneticamente predeterminadas e desencadeadas por algum estresse não específico como, por exemplo, uma infecção viral, estresse psicológico ou trauma físico. O eixo hipófise-hipotálamo-adrenal e o sistema nervoso simpático, que compreendem os principais sistemas de resposta ao estresse, juntamente com suas interações com as disfunções neuro-hormonais, também são implicados na fisiopatologia.
A FM ocorre em qualquer idade e é diagnosticada mais frequentemente no sexo feminino. É uma condição comumente observada na prática clínica diária e uma das principais causas de consultas referentes ao sistema musculoesquelético, sendo ainda considerada o segundo distúrbio reumatológico mais encontrado, superada apenas pela osteoartrite.
Apesar do bom prognóstico desta condição dolorosa, os pacientes com FM consomem quantias exorbitantes de recursos financeiros na área da saúde pública ou particular, tanto em tratamento como em investigação diagnóstica. A dimensão do impacto econômico e financeiro da FM para a sociedade pode ser evidenciada em estudo americano publicado em 2007, que encontrou um custo anual de 9.573 dólares por paciente, representando gastos três a cinco vezes maiores do que a população em geral.
O tratamento ainda é muito frustrante, tendo em conta poucas armas efetivas medicamentosas, como também os métodos de abordagem não farmacológicos. Destacam-se as drogas pertencentes ao grupo dos inibidores de receptação de serotonina e noradrenalina. Os exercícios aeróbicos são fundamentais e demonstram muita força de evidencia científica. Quando possível, a abordagem psicológica como a terapia cognitiva-comportamental tem sido muito útil nesta abordagem.