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Indaiatuba, 03 de Março de 2021
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Publicado em 18/02/2021 às 18:55:00
Por: Dr. Raphael Netto Silveira - Ortopedia e Traumatologia - Especialista em Pé e Tornozelo
Categoria: Notícia em Destaque
Pé Plano


O pé plano (PP), também conhecido como pé chato, na maioria das vezes não deve ser considerado uma doença, pois pode apenas representar uma condição fisiológica da criança, principalmente quando flexível e indolor. O mesmo ocorre com o adulto/idoso (pé plano adquirido). Caso este se torne patológico, apresentará alguma perda de função: calosidade, dor, redução da flexibilidade (acarretando alterações biomecânicas aos pés), sendo mandatório algum tipo de intervenção do ortopedista.
Em geral a criança nasce com o pé plano em função de sua abundante matriz cartilaginosa, frequentemente o arco plantar inicia sua formação aos 5 ou 7 anos. Considerar pé plano assintomático como doença é precoce antes dos 9 ou 10 anos de idade. Momento no qual a matriz cartilaginosa começa a se tornar rígida, dando o aspecto final do pé do indivíduo. Na infância 99% dos PP´s são flexíveis, em torno de 97% destes se resolvem de maneira espontânea e apenas 3% se mantém até a vida adulta necessitando de tratamento. Estes adultos que apresentam a deformidade dolorosa foram os que, provavelmente, não obtiveram diagnóstico etiológico precoce e, portanto, não foram tratados adequadamente.
Pé plano rígido infantil mais comumente ocorre pelas barras ósseas e em geral se manifesta entre 9 e 13 anos de idade. Outros fatores causais desta rigidez são doenças neuromusculares e outras síndromes (síndrome de Down, Ehlers-Danlos, artrogripose, mielomeningocele, paralisia cerebral...) onde o diagnóstico e tratamento da doença de base são fundamentais para o desfecho favorável. 
Seu diagnóstico é feito pelo exame clínico, testes físicos (Jack test), teste da ponta dos pés, baropodometria, postura de caminhada do paciente e exames radiográficos realizados com o paciente em pé, nos quais o ortopedista irá medir os ângulos que determinarão a gravidade e opção (ou opções) de tratamento quando necessário. Tomografias e ressonâncias magnéticas são indicadas nas suspeitas de barras ósseas, sequela de fratura e lesões tendíneas (os dois últimos nos casos de pé plano adquirido).
Em relação ao tratamento, quanto mais precocemente for estabelecido, melhores serão os resultados. Estes podem ser desde o simples acompanhamento ortopédico, fisioterapias, uso de palmilhas, órteses e até cirurgias. 
A prescrição em larga escala de palmilhas, botas e outras órteses, tal qual se fazia com maior frequência no passado, apresentou uma queda significativa. Basicamente hoje, só as utilizamos em casos de dor, deformidades moderadas à graves ou sua progressão na tentativa de frear o processo de deformação dos pés.
Recebo semanalmente filhos que foram levados a consulta a pedido do pediatra, de algum professor(a) da escola, parentes que se preocupam com a pisada da criança e chamam a atenção dos pais para o fato, vizinhos, amigos e até outros ortopedistas. A maior parte destes pacientes são assintomáticos, porém de rotina realizamos o mesmo “screening” para os sintomáticos e assintomáticos, esta atitude tem tranquilizado muito os pais e minimizado a chance de se tornarem adultos com pé plano sintomático.
Atualmente consideramos como os dois principais fatores de sucesso do tratamento, seja no pé plano infantil ou adquirido do adulto, o correto diagnóstico causal e a boa adesão do paciente e familiares ao tratamento (o que, particularmente, considero o mais desafiador para nós médicos).