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Indaiatuba, 17 de Janeiro de 2020
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Publicado em 13/12/2019 às 10:50:00
Por: Dra Taís Mori Sério - Cirurgiã Vascular
Categoria: Notícia em Destaque
Erisipelas


A erisipela é uma afecção de natureza infecciosa bacteriana aguda que acomete a derme, provocando uma intensa inflamação dos seus capilares linfáticos, podendo ou não envolver o sistema de drenagem dos linfáticos superficiais. O primeiro registro da erisipela, também chamada “Febre de Santo Antônio”, data da Idade Média. Sua principal etiologia é o “Streptococcus pyogenes”, no entanto outras bactérias podem também promovê-la, tais como outros grupos de Streptococcus, Staphylococus aureus, entre outros.
Acomete preferencialmente adultos, com pico de incidência na faixa etária entre 60 e 80 anos, países de clima tropical e incide preferencialmente nos membros inferiores, podendo também ocorrer em outras regiões, como membros superiores ou face. Em sua fisiopatologia, ocorre uma “solução de continuidade” na pele ou unha da região acometida, com penetração de bactérias usualmente pertencentes a microbiota das mesmas, associado a uma ineficácia do sistema imunológico em detê-las e consequente acometimento da derme e seus linfáticos.
Os sinais e sintomas da erisipela são variados e podem abranger o comprometimento do estado geral, febre, náuseas e/ou vômitos, sinais flogisticos na região acometida, linfadenite regional (externando-se como “ínguas” dolorosas na região inguinal, no acometimento dos membros inferiores; na região axilar, no acometimento dos membros superiores), entre outros. Seu diagnóstico é eminentemente clínico e demanda antibioticoterapia, além de sintomáticos e cuidados locais e sistêmicos.
Qualquer afecção que favoreça a descontinuidade da pele ou unhas, edema ou comprometa a imunidade do indivíduo constitui fator de risco para erisipela, tais como onicomicose, micose interdigital, lesões, linfedemas ou edemas prévios do membro, diabetes mellitus, etc... Além das complicações sistêmicas que a erisipela pode propiciar devido a sua natureza infecciosa, ela pode promover alterações locais e de difícil compensação, tais como o linfedema, com consequente diminuição da defesa imunológica local; além da alteração do trofismo da pele local, com consequente maior susceptibilidade a novas lesões, tornando a erisipela e suas complicações um ciclo de alta morbidade.
No tratamento e principalmente na prevenção das erisipelas, várias especialidades médicas e demais áreas da saúde podem e devem estar envolvidas: clínicos, infectologistas, dermatologistas, cirurgiões vasculares, fisioterapeutas. Essa rede de atenção e cuidado pode promover diagnósticos e instituição de tratamentos mais precoces, além da profilaxia de novos episódios através da detecção e tratamento de suas ditas “portas de entrada”, tão importantes para o controle de novos episódios.