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Indaiatuba, 17 de Novembro de 2019
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Publicado em 20/09/2019 às 00:00:00
Por: Dr. Santo Adalberto Mardegan - Informações
Categoria: Notícia em Destaque
A Anestesia em Indaiatuba


“Eu não sabia que existia uma cidade chamada Indaiatuba”. O Dr. Santo Adalberto Mardegan veio para Indaiatuba a convite do Dr. Orlando Annicchino Jr., uma vez que havia feito Residência Médica em Anestesiologia no Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Formado na Universidade Federal de Medicina de Santa Catarina em Florianópolis em 1981, o Dr. Santo tem uma sotaque sulista. Nascido em Cafelândia, Estado de São Paulo, passou grande parte da infância e adolescência no Estado do Paraná, quando foi cursar a faculdade em Santa Catarina.
Chegou em Indaiatuba em 1984, integrando a equipe de anestesistas que atuavam na cidade, composta pelos doutores Orlando Annicchino Jr., Roberto Spadella e Dra. Glessan C. Prandi. Morou no Hospital Augusto de Oliveira Camargo, nas salas onde se localizam a atual administração.
O número de cirurgias realizadas no hospital era reduzido e o Dr. Santo, assim como outros médicos, trabalhou em Salto, no Hospital Monte Serrat, onde conheceu a esposa Tânia, instrumentadora cirúrgica que residia em São Paulo e prestava serviços no hospital de Salto, fazendo parte de uma equipe de profissionais da capital paulista.
Os recursos eram restritos no Hospital e Dr. Santo lembra que os equipamentos de anestesia dos quais dispunham eram o estetoscópio e esfigmomanômetro, não havendo qualquer outro equipamento de monitorização, tal como utilizados nos dias atuais.
As cirurgias realizadas eram de pequeno porte, de modo geral, mas haviam também grandes cirurgias como gastrectomias realizadas pelo Dr. Renato Riggio. Não havia UTI e a recuperação dos pacientes era um grande problema, havendo a permanência destes na sala de recuperação das cirurgias, que funcionava como uma pequena UTI, por um ou dois dias. “Não tínhamos alternativa, lembra Dr. Santo, era a sala de recuperação ou a sala de recuperação.
Dr. Santo lembra que a portas do centro cirúrgico eram do tipo “bang bang”, além da falta de um gerador e ventilação adequadas. Quando chovia ou ameaçava chover, como lembra Kátia Bernandinetti, administradora da APM Indaiatuba, havia a preocupação: “e se faltar energia...”.
As dificuldades do hospital eram inúmeras. Não se podia esperar muita coisa de um hospital mantido por caridade numa pequena cidade, mas havia muitos problemas. O aparelho de eletrocardiografia, a título de exemplo, era propriedade do Dr. Renato Cordeiro, que gentilmente o cedia para uso de outros médicos. Eram estas as dificuldades de inúmeras “Santas Casas” no país afora? Talvez, mas isso não reduzia as dificuldades enfrentadas pelos médicos que atuavam no hospital. Não havia banheiro no “centro cirúrgico”. Os médicos e os demais profissionais precisavam fazer uma caminhada de percurso razoável para seu merecido alívio. Alguns se dirigiam à porta (bang bang) para fumar e “relaxar” entre uma cirurgia e outra.
Dr. Santo lembra que já havia o halotano e outros gases utilizados na anestesia, porém eram utilizados o “vaporizador” e outros instrumentos não descartáveis. Luvas eram “reesterilizadas” e até mesmo gazes eram reaproveitadas. Funcionárias eram utilizadas no período noturno para lavarem e às “estenderem” em pequenos artefatos para que pudessem secar e ser reutilizadas.
O hospital sofreu um grande “trauma” com a intervenção na administração por parte da Administração Pública Municipal, mas foi após esta ação que se promoveram os plantões remunerados e a compra dos primeiros respiradores “Takaoka”.
Nem tudo foram conquistas e aquisições. Grande comoção no meio médico e na cidade ocorreu após a morte de um paciente por choque elétrico no aparelho de RX, bem com a morte da filha da jornalista Aydil Bonachella (Andréa), na qual se identificou a necessidade de uma UTI no hospital. Histórias tristes, mas que acabaram determinando a atenção do poder público no investimento na atenção à saúde em nível hospitalar.
Outro fato importante foi a “retirada das freiras” no controle do hospital, fato atribuído ao Dr. Renato Riggio. Ainda que tenham prestado relevantes serviços ao hospital e à saúde pública de Indaiatuba, sua atuação estava atrelada a princípios religiosos que confrontavam os interesses comunitários. “Laqueaduras” eram vigiadas e necessitavam de “jeitinhos” por parte dos médicos cirurgiões.
Ao contrário de muitos médicos clínicos, anestesistas dependiam exclusivamente de cirurgias para sua atuação. O número de cirurgias realizadas no hospital era pequeno e médicos anestesistas acabavam por ficar ociosos em certos períodos. Foi nesse contexto que o Dr. Roberto Spadella, anestesista, o incentivou a prestar concurso público para médico legista, que se tornou a segunda especialidade do Dr. Santo.
Ainda que não faça parte dos médicos mais antigos da cidade, Dr. Santo tem muitas histórias para contar a respeito da medicina de Indaiatuba. Ao lado da esposa Tânia, vivenciou bons e maus momentos do trabalho médico na cidade e ambos têm na filha Stella, médica pediatra, a continuidade da atuação na prestação de serviços de saúde à população de Indaiatuba, além do trabalho da filha Flávia, assistente social, e do filho Ivan, doutor em gestão pública.