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Indaiatuba, 01 de Abril de 2020
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Publicado em 20/02/2020 às 16:00:00
Por: Dr. Francisco C. Ruiz - Psiquiatra
Categoria: Notícia em Destaque
Estratégias relacionadas ao consumo da Maconha


A maconha (cannabis) é a droga ilícita mais utilizada em todo o mundo e seu consumo está associado a grande número de doenças agudas e crônicas, de acordo com inúmeros estudos. O número de usuários é elevado e nestes se destaca uma fração de dependentes da droga, sobretudo entre os mais jovens.
A procura por ajuda médica é praticamente inexistente. Jamais um usuário de maconha procura um médico, relatando ser dependente e apresentando dificuldades em abandonar o uso da droga. Por outro lado, a procura pelo psiquiatra é frequente por parte de pais e familiares do usuário. Muitos insistem para que seus parentes realizem uma consulta psiquiátrica e muitas vezes questionam sobre a necessidade de uma internação psiquiátrica.
O perfil do usuário de maconha mudou muito ao longo das últimas décadas. De uma droga comumente utilizada por jovens e adolescentes, passou a ser consumida por um público adulto, não raras vezes por pais juntamente com seus filhos e família. Além da mudança na faixa etária dos usuários, muitos não a consideram uma droga ou mal, sendo necessário perguntar em separado: “Você usa drogas? Você usa maconha?”.
Ainda que o risco do uso da maconha seja elevado no sentido de provocar ou desencadear doenças como a Esquizofrenia e a Depressão, não se pode colocar em condições de igualdade o uso de drogas que causam dependência física e a maconha. São condições clínicas diferentes e exigem abordagens diferentes. De qualquer forma, a angústia de familiares é grande, sendo necessário esclarecê-los das especificidades de cada droga.
O uso e a dependência da maconha devem ser enfrentados pelo esclarecimento. Medidas mais drásticas como a internação psiquiátrica não ajudarão neste caso específico. Ao contrário, forçar a internação, quer se utilizando das internações involuntárias ou compulsórias, podem agravar determinadas condições clínicas e gerar conflitos ainda piores.
A orientação, bem como uma atitude de exigência de responsabilização do usuário por seu comportamento podem ajudar muito. A alta prevalência do consumo da droga, bem como o processo de legalização de seu uso para fins recreativos em alguns países tem levado pesquisadores a buscarem meios eficazes e baseados em evidências no sentido de reduzir os malefícios causados.
Pesquisadores como Fischer B., Russell C., entre outros, conforme publicação no Am. J. Public Health, 2017, elaboraram um guia de orientação para usuários de cannabis, chamado LRCUG. Em síntese, as recomendações são as seguintes:
1. A maneira mais eficaz de evitar qualquer dano relativo ao uso da cannabis é se abster do uso.
2. O início precoce do uso de cannabis está associado a múltiplos efeitos na saúde e na vida social dos jovens.
3. Produtos com alto teor de THC estão associados a maiores riscos de problemas mentais e comportamentais.
4. O uso de canabinóides sintéticos está relacionado a efeitos adversos mais graves e agudos.
5. A inalação da fumaça provocada pela combustão da droga afeta a saúde respiratória.
6. Práticas como a “inalação profunda”, como retenção da respiração e manobra de Valsalva, podem agravar os riscos. 7. O uso frequente e intensivo está relacionado a riscos mais elevados de efeitos adversos à saúde.
8. Dirigir veículos sob efeitos da cannabis está associado a aumento de risco de acidentes de trânsito.
9. Existem populações que apresentam maiores riscos de manifestar efeitos adversos e que devem se abster de seu uso, como indivíduos com predisposição para transtornos psicóticos e dependência química, histórico de familiares de primeiro grau com os mesmos transtornos e mulheres grávidas.
10. A combinação dos fatores de risco apontados acima pode aumentar a possibilidade de efeitos adversos, como uso precoce, alta potência, etc.
O consumo elevado da droga, bem como a legalização de seu uso para fins recreativos em alguns países fazem com que os agravos à saúde se tornem um problema importante de saúde pública. Preconceito, pânico ou medidas drásticas em nada ajudam. É necessário que se mantenham as pesquisas na procura por estratégias eficazes de redução de danos.