× Home Diretoria APM News Eventos e Congressos Classificados Clube de Benefícios Área do Associado Associe-se Publicidade Localização Fale Conosco
Indaiatuba, 05 de Agosto de 2021
Dúvidas? Entre em contato: (19) 3875-7200
Publicado em 20/07/2021 às 14:03:00
Por: Dr. Francisco Carlos Ruiz -
Categoria: Notícia em Destaque
A batalha de Oswaldo Cruz – Final


A febre amarela, como qualquer epidemia ou pandemia, era um grave problema que afligia o país. Uma epidemia é um problema sanitário com graves consequências no campo econômico, social, político, além do sofrimento humano. “Uma vergonha e uma desgraça”, nas palavras do Dr. Odair Franco. 
O Governo Federal, no início do século XX, se posicionava em favor do conhecimento científico e do Dr. Oswaldo Cruz. A imprensa da época, ao contrário, se colocava em oposição ao conhecimento e às medidas sanitárias e questionava a suposta retirada de direitos individuais, de propriedade, entre outros. 
A epidemia da febre amarela no Brasil de então, assim como a COVID nos dias de hoje, contribuíam para o descrédito do país. Afugentavam estrangeiros e nações da Europa chegavam a oferecer indenizações a diplomatas designados ao Rio de Janeiro, capital do Brasil. 
Oswaldo Cruz empreendeu seu trabalho, baseado no conhecimento científico disponível, e prosseguiu no combate à doença no Rio de Janeiro. Assim como reportamos que a imprensa, pouco a pouco, passou a reconhecer o trabalho do jovem médico, o reconhecimento internacional também não tardou. Neumann e M. Otto, do Instituto de Moléstias Tropicais de Hamburgo, Emile Roux, do Instituto Pasteur de Paris e o Congresso Médico Latino-Americano de Buenos Aires congratularam-se com Oswaldo Cruz pelo sucesso obtido no combate à febre amarela na capital federal. 
De acordo com o Dr. Odair Franco: “...os mata-mosquitos tornaram-se queridos. Hoje, desde o solar elegante e rico, até o quarto acanhado de estalagem, os mata-mosquitos não encontram hostilidades. São recebidos com amabilidade, com carinho às vezes”. 
Após anos de luta contra a epidemia, Oswaldo Cruz comunicou o Ministro que a epidemia estava controlada em 8 de março de 1907:

“O Govêrno do Exmo. Sr. Dr. Rodrigues Alves forneceu, depois de os ter solicitado e obtido apoio do Congresso, todos os elementos pedidos pela Diretoria de Saúde, e hoje folgo em levar ao conhecimento de V. Exa. que, graças à vontade e firmeza do Govêrno, a febre-amarela já não mais devasta sob a forma epidêmica a Capital da República. Alenta-nos além disso a esperança de que, num futuro mui próximo, possamos riscar por completo da nossa estatística nosológica a moléstia que durante tantos anos nos constituiu o maior óbice  ao nosso progresso”.

  Quiçá pudéssemos dizer o mesmo nos dias de hoje em nosso país. Isso foi real. O bem às vezes triunfa, é preciso acreditar e agir. 
Em 10 de fevereiro de 1908, Oswaldo Cruz regressou triunfante do XIV Congresso Internacional de Higiene e Demografia, reunido em Berlim. Nosso grande médico havia exposto material referente às atividades do Instituto Manguinhos e havia conquistado o primeiro lugar entre 123 concorrentes. “A notícia dessa vitória do Brasil fêz com que uma onda de orgulho e satisfação percorresse os centros intelectuais brasileiros. Por ocasião de sua chegada, a imprensa carioca, num movimento unânime, em artigos contendo os mais generosos encômios, convidou a população a prestar-lhe uma grande homenagem. A “Gazeta”, por exemplo, dizia: “A cidade inteira deve juntar-se à beira do cais para receber, com a devida gratidão, o Dr. Oswaldo Cruz”. Enquanto a “Tribuna” avisava ao povo que lá estivesse “para saudá-lo com flores e com palmas... mas sem discurso”. De fato, Dr. Oswaldo foi recebido com flores, vivas, palmas e músicas, além de receber homenagens em sessão solene da Academia Nacional de Medicina. 
Fato marcante em sua trajetória foi sua decisão decorrente de uma lei que entrou em vigor em 15 de agosto de 1909 que proibia acumulações em serviço público. Pediu exoneração do cargo de Diretor Geral de Saúde Pública e escolheu permanecer no Instituto Manguinhos, como Diretor onde pensava poder dedicar-se inteiramente, visto que estava cansado e doente.  Outras campanhas foram realizadas em distintas regiões do país. Foi nomeado para a Academia Brasileira de Letras, nomeado Prefeito de Petrópolis. Sua saúde, entretanto, se agravou e foi obrigado a se retirar da vida pública. 
Faleceu em 11 de fevereiro de 1917 às 21 horas. Nas palavras do Dr. Odair Franco: “Tinha apenas 44 anos e meio, êsse homem que, no julgamento de Ruy Barbosa, foi superior ao seu tempo e seu País”.