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Indaiatuba, 03 de Março de 2021
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Publicado em 18/02/2021 às 18:52:00
Por: Dr. Gabriel Carvalho de Alvarenga - Diretor de Defesa Profissional
Categoria: Notícia em Destaque
Um caso de impedimento ético e moral


Vários são os desafios que a pandemia vem nos impondo. As respostas a eles são as mais diversas e embora todas com o mesmo objetivo, nenhuma se mostrou perfeita em mitigar seu impacto em toda sua amplitude. 
No enfrentamento do problema, podemos identificar com clareza, três níveis chaves de intervenção: distanciamento social e sanitização dos ambientes;  disponibilização de pessoal e infraestrutura em quantidade e qualidade que permitam resgatar os adoecidos;  introdução da imunização.
Experiências aqui no Brasil, como lá fora,  mostram que andamos a passos lentos, por vezes em círculos, cambaleando por todas essas etapas. Mas na última em particular, está sendo introduzido aos poucos em nosso país uma ideia que, se vingar, poderá definitivamente implodir qualquer experiência bem sucedida que possamos ter conseguido em meio à tragédia pela qual passamos e ainda iremos passar:  a possibilidade da comercialização da vacina. Essa conversa veio na boleia de letárgica reação das autoridades sanitárias federais frente à questão vacinal e o aguçado apetite de agentes econômicos atraídos pela oportunidade de obter lucro.
As vacinas hoje,  têm uma oferta ainda muito aquém de uma demanda cuja premência é da magnitude dos impactos contra a vida no aspecto biológico, psicológico, psiquiátrico, socioeconômico e até de relações internacionais. Não obstante a competição entre países, sua aquisição por ora se dá somente através de governos para implementação de suas estratégias de políticas de saúde pública como viés mais humanista. 
A possibilidade de comercialização dos imunizantes irá simplesmente reduzir a discussão sobre acesso a quem pode e quem não pode pagar. Certamente irá inflacionar o custo de um produto que de saída já é escasso. Se esta discussão é passível de acontecer por vivermos num mundo capitalista, não deixa de ser antiética e imoral, pois discrimina violentamente e mortalmente a esmagadora maioria da população mundial, além de não amortecer em nada as terríveis consequências claramente identificadas da pandemia.  Uma vez resolvido o problema da escassez, levanta-se o impedimento ético.