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Indaiatuba, 19 de Outubro de 2019
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Publicado em 20/09/2019 às 05:00:00
Por: Dr. Francisco Carlos Ruiz - Presidente
Categoria: Notícia em Destaque
Estresse Ocupacional entre os médicos


A profissão médica envolve o contato com a dor, sofrimento, expectativas e exigências grandes sobre os profissionais e figura entre as profissões que apresentam os mais altos índices de estresse ocupacional. O resultado é uma incidência maior de doenças cardiovasculares, suicídio e morte precoce. Os índices dos fenômenos citados são preocupantes, ocorrendo inclusive uma inversão nas taxas de mortalidade relacionadas a gênero. Na população em geral, mulheres vivem cerca de 10 anos a mais que homens. Na população médica, mulheres vivem cerca de 10 anos menos que homens. O que se pode pensar em relação a estes números é que o stress relacionado à profissão afeta intensamente esta categoria profissional a ponto de inverter estatísticas em relação à população em geral. Os indicadores de estresse e incidência de doenças colocam os médicos entre as profissões sabidamente conhecidas por elevada carga de estresse ocupacional, como enfermeiros, policiais, bombeiros, professores, jornalistas, executivos e profissionais de telemarketing. Desta forma, a imagem daquele profissional tranquilo que trabalha certo número de horas e vai para casa antes de escurecer é coisa do passado. O médico é um profissional que ultrapassa em muito as tais 8 horas de trabalho diário, comum à maioria dos trabalhadores. Entre os vários especialistas médicos, há alguns que sofrem particularmente. Entre eles estão aqueles que trabalham com urgências e emergências. Médicos que trabalham em UTIs e prontos socorros estão particularmente expostos ao stress. Recentemente, a manifestação de médicos emergencistas na França, e a consequente “fuga da especialidade”, veio demonstrar que o excesso de atendimentos e más condições de trabalho não representam um problema exclusivo de nosso país, mas um problema que afeta médicos em todo o mundo. Antes que se argumente que muitos médicos não trabalham em serviços de urgências, é importante lembrar que muitos que trabalham em consultórios e ambulatórios, também realizam trabalhos em serviços de urgências ou têm especialidades que envolvem atendimentos de urgência como obstetras, cirurgiões, cardiologistas, psiquiatras, entre outros. O problema do estresse ocupacional não afeta somente médicos brasileiros e não diz respeito apenas ao setor público ou privado no Brasil. A preocupação deve ser de todos os médicos, uma vez que afeta a profissão médica como um todo, devendo fazer parte de nossas principais aspirações profissionais. A busca de melhores condições de trabalho deve ser uma luta constante de forma individual, institucional e por meio das entidades médicas.