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Indaiatuba, 06 de Agosto de 2021
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Publicado em 20/07/2021 às 14:01:00
Por: Dr. Gabriel Carvalho de Alvarenga - Diretor de Defesa Profissional
Categoria: Notícia em Destaque
E quando a pandemia arrefecer?


 

Se a assimetria da distribuição da população médica pelo território nacional é sintoma da ausência de políticas públicas para assentamento de profissionais da saúde, tal situação ainda prevalece e carece de uma intenção, de um pensar e de um agir estratégico em termos logísticos e de pessoal. 
 A única tática que parece prevalecer é um laisser-faire, um conceito de política econômica e de política de saúde que consiste em “inundar” o mercado de profissionais, sem preocupação com qualidade e sim com uma espécie de empreendedorismo salvador, mas que de fato só é predador. 
 Clínicas populares imiscuem-se no espaço entre a saúde suplementar e o Sistema Único de Saúde, atuando de forma oportunista, por cima de uma população que já vinha carente de recursos. De acordo com um engenheiro e antigo ministro da saúde, seria excelente para desafogar o SUS.
  Fato é que a judicialização está presente, potencializada e crescente.  Sendo ela de alta prevalência, o médico neste contexto é o mais exposto e vulnerável. 
  Os procedimentos no SUS hoje represados, já tinham filas de espera incomensuráveis e sua remuneração muito defasada. A prestação de serviços não é territorialmente homogênea, havendo discrepâncias enormes entre localidades em razão da quantidade de recursos que chegam ou mesmo da qualidade da gestão ou da distribuição de profissionais ou simplesmente da ausência de uma política de saúde do estado. 
  É esta população economicamente carente e extremamente pobre em educação em saúde que é entregue aos novos e ávidos empresários de clínicas populares que têm a seu dispor profissionais jovens aos montes, egressos de sistemas formadores, alguns bons, outros dúbios, e que sonham ser médicos. Equivalendo-se dizer que iniciam suas carreiras desde já pejotizados, por conveniência de terceiros, em campos minados onde acabam sendo vitimados junto com aqueles que pretendem ajudar.
  Após gastos questionáveis e mal executados, num contexto de baixa arrecadação, alguma hora a poeira irá baixar e a cortina irá se abrir. A pergunta a se fazer é: que saúde encontraremos quando a pandemia arrefecer?
 Quando ela enfim se descortinar, irá se revelar uma realidade muito mais deteriorada das condições de trabalho dos profissionais de saúde em geral e dos médicos em particular, sem falar de estelionato e de maiores riscos à saúde oferecidos à população. É preciso ter consciência disso e não permitir que aconteça.