× Home Diretoria APM News Eventos e Congressos Classificados Clube de Benefícios Área do Associado Associe-se Publicidade Localização Fale Conosco
Indaiatuba, 16 de Setembro de 2019
Dúvidas? Entre em contato: (19) 3875-7200
Publicado em 23/08/2019 às 00:00:00
Por: Dr. Francisco Carlos Ruiz - Pediatria
Categoria:
Dr. Danilo Ribeiro D’Ávila – 3º. Pediatra de Indaiatuba


Dr. Danilo é formado na Faculdade Federal de Medicina de Uberaba – UFTM em 1974. Especializou-se em Pediatria, fazendo a residência médica na especialidade no Hospital Cândido Fontoura em São Paulo. Iniciou sua carreira na capital, trabalhando em hospitais como Hospital Sabará, Clínica Infantil Ipiranga e Pronto Socorro da Água Branca. Foi vítima de três alagamentos no trânsito até ouvir de um colega que Indaiatuba estava precisando de um pediatra. Na época a cidade contava com os pediatras Dr. Edmur Belluomini e Dr. Fernando Costa. Desta forma, o Dr. Danilo veio a ser o terceiro pediatra a trabalhar e residir em Indaiatuba. Na entrevista junto à Diretoria do Hospital Augusto de Oliveira Camargo foi colocada a condição principal: residir em Indaiatuba. A condição não representava obstáculo ao pediatra que não suportava mais alagamentos e se mudou com a esposa para Indaiatuba em 1978. Convidado também a trabalhar no consultório do Dr. Edmur, em pouco tempo deixou o trabalho em São Paulo e passou a trabalhar em tempo integral em Indaiatuba. Assim como outros colegas, sua vida profissional estava intensamente ligada ao Hospital, além de trabalhar em Salto no Inamps, onde foi aprovado em concurso público. Salto contava com um Posto do Inamps e era comum que médicos de Indaiatuba fossem trabalhar naquela unidade, a exemplo do Dr. Pedro Maschietto. Ainda que não tenha nascido em Indaiatuba, Dr. Danilo é um grande conhecedor da história do Haoc e da história da Medicina na cidade. O interesse pela história do hospital foi despertado por um fato curioso. Estava atendendo um paciente quando este bateu com a mão no reboque da parede de um quarto do hospital e falou: “fui eu quem rebocou grande parte das paredes deste hospital”. A partir daí, iniciou uma pesquisa pela história do hospital, procurando por arquivos e jornais da época. Resumidamente, comenta que a construção se iniciou em 1929 e foi concluída em 27/06/1933 e que na época consumia um terço de toda a energia elétrica consumida em Indaiatuba. A obra foi realizada exclusivamente com recursos do casal Oliveira Camargo e Eleonor de Barros que eram cafeicultores e não tiveram filhos. Dr. Danilo comenta que ficou impressionado com o tamanho da obra assistencial do casal aos quais qualifica como o casal de maior ação benemérita do qual teve conhecimento. Lembra o pediatra que o hospital no qual trabalha há 42 anos passou por diversas crises, entre elas a intervenção pela Prefeitura, período no qual o hospital foi administrado por um interventor sem nenhuma experiência em administração hospitalar. Dr. Danilo lembra que, de forma geral, os recursos disponíveis no Dr. Danilo Ribeiro D’Ávila 3º Pediatra de Indaiatuba APM News Histórias da Medicina Dr. Francisco Carlos Ruiz atendimento em Pediatria eram escassos. O hospital não tinha UTI Pediátrica ou Neonatal e era muito difícil conseguir a transferência de uma criança com doença grave para hospitais da região.

Outra situação frequente nos anos setenta era a impossibilidade das mães ficarem junto às crianças internadas na enfermaria. Havia muito choro por parte das mães e crianças ao final do horário de visitas. Tal situação mudou pela atitude de diversas mães que insistiram em permanecer junto aos filhos. Entre outras situações, Dr. Danilo lembra de uma mãe que ficou muito brava por não permanecer com a criança e disse que “voltaria com a coisa”. A equipe ficou apreensiva em saber que “coisa” seria. Pouco depois ela retorna com um colchonete, joga-o no chão e diz: “daqui não saio e nem a polícia vai conseguir me tirar”. Outro aspecto importante na internação de crianças era a dificuldade de alguns pacientes e suas mães de aceitarem a comida do hospital. Sempre foi comum os pais e visitantes trazerem algumas frutas e outros alimentos para os pacientes internados, mas o Dr. Danilo lembra de uma família de chineses que traziam toda a comida para criança. Era uma comida muito diferente da habitual, difícil até definir se era benéfica ou não para a criança, em decorrência da doença para a qual se realizava o tratamento. Outra mãe ainda trazia rapadura, o que contrariava qualquer princípio de dieta hospitalar. A situação se modificou ainda mais quando a enfermeira Adelina trouxe um fogão para que as mães pudessem esquentar ou até preparar alimentos para seus filhos. Dr. Danilo relata que houve grande mudança nas doenças mais prevalentes na Pediatria. Em função do avanço de vacinas, diminuiu muito a ocorrência de doenças infectocontagiosas como sarampo, coqueluche, entre outras.

C o n t r i b u i n d o imensamente com a história da Medicina que tentamos resgatar, o Dr. Danilo identifica que haviam 17 médicos na cidade quando veio aqui residir: Paulo Kóide, Renato Riggio, Pedro Machietto, Pedro Maschietto Filho, Mário Paulo, Renato Cordeiro, Casado com a Sra. Ana Rosa, tem três filhos: Danilo Jr., Mariana Beatriz e Gustavo. Dr. Danilo lembra que muitas situações difíceis na relação médico-paciente podem ser resolvidas com um bom diálogo. Alguns minutos de conversa podem desfazer mal entendidos e poupar muitos dissabores. Outra questão importante é a formação médica que merece atenção especial dos médicos e das autoridades que regulam o setor. Sem uma boa formação, não há como se garantir uma boa prática médica.